Lombadas dos livros 'O Duque e Eu' e 'O Visconde que me Amava' da série Os Bridgertons, posicionadas sobre uma manta felpuda com luzes decorativas (fairy lights).

Pois é, meu amores. Chegou o dia que vocês mais esperavam, aquele em que eu assumo que os romances de época não são tão horríveis quanto eu pregava, rs. Isso tudo porque eu resolvi ler O Duque e Eu, primeiro volume da série Os Bridgertons, e acabei me apaixonando. É claro que não foi do nada, como vocês podem imaginar. Eu fiquei muito curiosa para ver a série da Netflix, e achei mais que justo ler pelo menos a história da protagonista, Daphne, antes de assisti-la. Agora vocês que lutem comigo surtando por certos duques, viscondes e condes por aí.

Só para recapitular, não é que eu ache romances de épocas ruins, eu só nunca tive muita paciência pro contexto temporal. Nunca me agradou esse negócio de casamento arranjado e a sociedade extremamente patriarcal e machista do século passado — não que ainda não sejamos patriarcais e machistas, mas acho que vocês conseguiram me entender. A questão é que resolvi ler com o pensamento mais aberto, entendendo que as coisas eram daquele jeito e pronto, e foi justamente isso que fez com que eu aproveitasse e gostasse dos livros. 

A série criada por Julia Quinn é composta por oito livros + um spin off, que é um livro de contos lançado em 2016, exatamente 10 anos depois do último livro, A Caminho do Altar. Acho que os fãs e a própria autora estavam tanta saudade dos personagens maravilhosos que ela acabou não resistindo! Mas enfim... Cada livro tem como personagem principal um dos irmãos Bridgerton: Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Hyacinth e Gregory. Essa é a ordem cronológica dos irmãos, do mais velho para o mais novo — como vocês podem ver, Lady Bridgerton achou que seria uma ótima ideia nomeá-los em ordem alfabética —, e não necessariamente a ordem em que eles aparecem nos livros. Por exemplo, conhecemos todos os personagens, primeiramente, no livro cujo enredo gira em torno de Daphne, O Duque e Eu. Mesmo quando não são protagonistas, volta e meia os personagens aparecem nos livros dos outros irmãos, e eu adoro isso.  

De um modo geral, a série como um todo tem um enredo principal. Se passa em meados dos anos 1810, numa época em que o sonho de todas as mães de família era que suas filhas se casassem bem. Sendo assim, as temporadas sociais em Londres bombavam e o único intuito era encontrar o marido perfeito — rico e com título, de preferência — em meio aos bailes ultra luxuosos. O que eu mais adoro é que a sociedade é muito puritana, pelo menos numa fachada, mas a verdade é que todos os personagens possuem segredos muito, mas muito "pecaminosos". 

Os Bridgertons é o tipo de série em que podemos ler os livros fora de ordem. O enredo não fica comprometido, uma vez que cada livro tem um protagonista diferente. Mas é claro que é muito mais interessante lê-los a medida que foram lançados, pois assim ninguém corre o risco de pegar spoilers, né? Então, para quem ainda tem dúvida:

O Duque e Eu, que tem Daphne como protagonista;

O Visconde Que Me Amava, que tem Anthony, o irresistível, como protagonista;

Um Perfeito Cavalheiro, que tem Benedict como protagonista;

Os Segredos de Colin Bridgerton, o próprio nome já diz, rs;

Para Sir Phillip, Com Amor, que tem Eloise como protagonista;

O Conde Enfeitiçado, quando finalmente Francesca tem a visibilidade que merece;

Um Beijo Inesquecível, o livro da Hyacinth;

A Caminho do Altar, do nosso caçulinha Gregory;

✦ E Viveram Felizes Para Sempre, que é composto por segundos epílogos de todas as histórias anteriores.

Agora vamos aos pormenores. Em primeiro lugar, alguém pode me explicar por que cargas d'água O Visconde Que Me Amava é o livro preferido de todos os fãs da série? Espero respostas sinceras de vocês nos comentários, porque na minha cabeça O Conde Enfeitiçado e Um Perfeito Cavalheiro são infinitamente superiores — eu juro que não tô tentando criar intriga, pelo amor de Deus! Risos! Falando super sério, eu comecei a me apaixonar já no primeiro volume, mas O Conde Enfeitiçado roubou meu coração, porque a Francesca é a personagem "esquecida no churrasco", sabem? Tão esquecida que nem na série aparece direito e nem apareceu na foto de família, rs. Quase não falam dela nos livros anteriores, então eu não esperada nada da história dela, e foi a mais sensível e bonita, ao meu ver. Tive a sensação de que a personagem era mais madura, e justamente por isso achei que o enredo foi melhor desenvolvido. 

Para quem tá curioso, a minha ordem de preferência dos livros é: O Conde Enfeitiçado, Um Perfeito Cavalheiro, O Duque e Eu, Um Beijo InesquecívelOs Segredos de Colin Bridgerton, O Visconde Que Me Amava, Para Sir Phillip, Com Amor e A Caminho do Altar. Também me apaixonei pelo livro de contos e dei cinco estrelas para ele, porque respondeu exatamente todas as coisinhas que eu queria ter ficado sabendo durante as tramas. 

Como vocês puderam ver, o livro do Anthony não está exatamente no meu hall dos preferidos, mas ainda é infinitamente melhor que Para Sir Phillip, Com Amor e A Caminho do Altar — tudo bem, um enemies to lovers realmente conquista corações, eu concordo, e a Kate realmente é perfeita e sem defeitos. Mas enfim, fiquei tão decepcionada com a trama da Eloise, gente! É uma das minhas personagens preferidas e achei que a Julia Quinn foi contra toda a personalidade dela ao casá-la com um cara tão, mas tão diferente dela... Ainda mais ela que queria desbravar o mundo, poxa! Em relação à história do Gregory, tive a sensação de que a Julia Quinn estava meio esgotada, achei bem superficial esse rolê da melhor amiga feia que não chama atenção de ninguém.

Ah, é claro que eu não me esqueci da cena polêmica de O Duque e Eu. Realmente gente, não tenho nem palavras pra dizer o quanto fiquei incomodada e não tem como fechar os olhos e ignorar. Ao mesmo tempo, acho que temos que ter um ponto principal em perspectiva: a primeira publicação do livro foi em 2000, o que significa que ele foi escrito, provavelmente, na década de 90... As visões eram diferentes, o que era socialmente aceito era diferente. E ainda bem que as coisas mudaram e que conseguimos enxergar coisas que não são tão legais! Prova disso é que na série da Netflix deixou a cena bem mais leve, inclusive. 

Phoebe Dynevor, Regé-Jean Page: Close de um casal em trajes de época prestes a se beijar em uma cena da série Bridgerton

E por falar em série, eu gostei e muito da primeira temporada! Adorei as modificações que foram feitas no enredo para que as cenas ficassem mais dinâmicas e principalmente o desenvolvimento dos outros personagens, que só ganham uma maior destaque mesmo nos próprios livros. Inclusive eu amei todos os personagens e as escolhas dos atores... Parecem que foram feitos para os papéis, vocês concordam? Sim, eu sou declaradamente apaixonada por Simon Basset e nunca vou superar o fato de que Regé-Jean Page não vai voltar para a segunda temporada, ainda que eu esteja super ansiosa por ela. Enfim, talvez minhas divagações sobre a série sejam assunto para outro post, o que acham?

É isso, gente! Queimei minha língua e aposto que vocês estão rindo deliciosamente da minha cara enquanto leem esse post. Então agora é a hora que vocês aproveitam esse momento de surto para me indicar novos romances de época tão apaixonantes quanto Os Bridgertons. 

Títulos: O Duque e Eu | O Visconde Que Me Amava | Um Perfeito Cavalheiro | Os Segredos de Colin Bridgerton | Para Sir Phillip, Com Amor | O Conde Enfeitiçado | Um Beijo Inesquecível | A Caminho do Altar | E Viveram Felizes Para Sempre

Autora: Julia Quinn ✦ Páginas: Total de 2864

Tradução: Cássia Zanon, Ana Resende, Cláudia Guimarães e Viviane Diniz

Editora: Arqueiro