Vista de baixo para cima das torres e muralhas de pedra de um castelo medieval sob um céu claro.
Fotografia da minha autoria

«É preciso ver o que não foi visto, 

ver outra vez o que se viu já»

A minha alma palpita só pela possibilidade de os meus passos se reencontrarem com o trilho deste território amuralhado, cuja mística e energia tiveram sempre lugar nas minhas recordações especiais. Há locais para os quais reservamos saudades infinitas, por isso é que o regresso implica uma explosão afetiva. Emocional. Sobretudo, quando o tempo em que permanecemos afastados é longo. Porém, há traços inesquecíveis. E laços que nunca se soltam. Perpetuando um conforto semelhante àquele que sentimos quando chegamos a casa.

Uma rua estreita de paralelepípedos em uma vila portuguesa, com casas brancas detalhadas em azul e flores coloridas.

Óbidos: Vila Natal, Feira do Chocolate, Vila Literária. Há mil designações pelas quais podemos conhecer este município medieval. E todas elas contribuem para contar a sua história mágica. Sendo um dos locais mais bonitos do nosso país, é fácil perdermo-nos pelas suas ruas e pelos detalhes que as tornam únicas. Imperdíveis. Apaixonantes. O seu centro histórico, cercado por uma fortaleza «com ameias clássicas», transforma-se num percurso algo labiríntico, onde podemos observar casas pintadas de branco, com «toques de tinta amarela e azul», e decoradas com flores. Esta vila é, portanto, um autêntico charme. E convida-nos não só para uma visita demorada, como também para pernoitarmos por cá, desfrutando do seu ambiente noturno.

Interior de uma livraria com teto em estrutura de madeira e paredes repletas de estantes de livros, com alguns clientes folheando obras.

Uma vitrine em formato de Guitarra Portuguesa contendo fotografias de diversos fadistas de renome em uma parede branca.

Vista em ângulo baixo da fachada de um edifício histórico com brasão esculpido e placas comemorativas sob o céu azul.

No topo da colina, há um castelo que atrai toda a nossa atenção. Mas até chegarmos aos seus encantos, vamos embarcar numa viagem fabulosa e rica sensorialmente. A entrada principal é a Porta da Vila - com um «interior revestido de azulejos», atualmente em manutenção -, que nos encaminha para a Rua Direita e para uma série de estímulos visuais, pois somos rodeados de casas, lojas de artesanato, restaurantes, galerias de arte e buganvílias, que eu adoro. Há uma certa urgência e um pulsar de vida que nos aumenta a vontade de continuar e de explorar cada recanto. Percorrer as suas ruas proporciona-nos, ainda, um contacto com vários estilos arquitetónicos, que resistiram à passagem do tempo, tornando Óbidos numa verdadeira obra de arte.

Uma mulher tocando um instrumento de percussão (hang drum) em uma rua de paralelepípedos ao lado de uma parede branca e azul com grafites.

Prosseguindo o passeio, não resisti a entrar na Livraria do Mercado. E, depois, rendi-me a observar a Igreja Matriz de Santa Maria, que se «ergueu sobre as fundações de um templo visigótico, convertido em mesquita»; o Museu de Óbidos, cuja «exposição permanente é uma viagem pela produção artística e pela devoção religiosa»; a Igreja de São Pedro, «reconstruída após o terramoto de 1755»; e a Igreja de São Tiago, situada contiguamente ao castelo. Esta foi, então, a última etapa do nosso trajeto e deixou-me sem palavras, uma vez que recuperou dos danos causados pelo terramoto, sendo «classificado como Monumento Nacional». Uma particularidade interessante é que, desde 1951, alberga a Pousada de Óbidos», que «ocupa o paço de estilo Manuelino». Neste dia, não pude evitar reparar na existência de um Dragão. Confesso que não sei justificar o propósito, mas, ainda assim, foi um elemento que me fez esboçar um sorriso largo - por razões óbvias.

Uma rua de paralelepípedos em uma vila histórica com casas brancas de detalhes amarelos e vegetação abundante.

Uma carroça de madeira decorativa em estilo medieval estacionada em uma praça de paralelepípedos em frente a uma construção antiga com porta de madeira.

É sempre um privilégio regressar a Óbidos, até porque parece-me mais bonita a cada reencontro. A sua identidade fotogénica, como li algures numa crítica, usufrui do passado para se impulsionar no futuro, demonstrando que a vila não estagnou. Muito pelo contrário. Dentro de muralhas, permitam-se contagiar pelos livros, pela ginja, pela tradição, pela componente biológica e por toda a cultura que a torna paragem obrigatória. Além disso, as suas histórias de amor são um excelente pretexto para nos entregarmos a este museu aberto ao mundo.

Uma escultura da cabeça de um dragão negro saindo do chão em frente às muralhas de um castelo medieval de pedra.

Uma vista de estruturas de madeira e pedra que lembram um cenário medieval ou vila histórica, com uma torre de castelo ao fundo.

Fotografia de turistas visitando e caminhando pelas muralhas e escadarias de um castelo histórico de pedra sob um céu claro.

Fotografia de uma rua de paralelepípedos em uma vila histórica com casas brancas tradicionais e pessoas caminhando.

Na despedida, suspirei promessas de nos voltarmos a ver. E para que a ausência seja mais fácil de suportar, deixei que o meu olhar captasse as linhas do Aqueduto e do Santuário do Senhor da Pedra, enquanto a vila se perde de vista, mas sempre presente no meu peito.

Uma casa branca tradicional portuguesa com flores vibrantes e uma escultura de uma mulher numa varanda.

Uma rua estreita de paralelepípedos em uma vila histórica, cercada por casas brancas com detalhes em amarelo e flores coloridas.

Uma coluna de pedra esculpida, possivelmente um pelourinho, situada em uma praça pavimentada em frente a um edifício histórico branco com muralhas de um castelo ao fundo em Óbidos, Portugal.

Uma fotografia da entrada de um estabelecimento chamado Cafetaria da Moura num edifício histórico caiado de branco com telhado de terracota.

Uma fotografia de uma entrada em arco de um edifício histórico em Óbidos, Portugal, com paredes brancas e amarelas e pessoas caminhando.

Uma rua com calçada portuguesa e prédios brancos de arquitetura tradicional portuguesa, apresentando detalhes em amarelo e uma farmácia ao fundo.

Uma fotografia de um antigo aqueduto de pedra com múltiplos arcos sob um céu levemente nublado.

Já conhecem Óbidos?