Lolita, Vladimir Nabokov, 1955, meu volume foi publicado em 1981 pela Abril Cultural, 423 páginas, tradução de Brenno Silveira.

1. Lolita é um clássico incontornável.

2. Não gostei dessa tradução. Vou ler no original.

3. Um clássico é um livro que pode ser lido diversas vezes e, em cada nova leitura vai revelar aspectos inusitados. É um livro citado por todo mundo que a gente admira. Um livro que não se esgota em si mesmo, a gente fica a imaginar outras histórias, o outro lado, outras versões. Um livro que incomoda, às vezes por motivos até ignorados. Um livro que está no imaginário coletivo, todo mundo conhece mesmo sem ter lido.

4. Nabokov incorporou dois substantivos ao mundo contemporâneo: lolita e ninfeta.

5. Houaiss, lolita: jovem do sexo feminino sexualmente precoce.

6. Houaiss, ninfeta: menina adolescente voltada para o sexo ou que desperta desejo sexual.

7. A palavra francesa nymphette, pequena ninfa, existe desde o século xvi, e foi ressignificada por Nabokov.

8. O personagem Humbert Humbert faz a seguinte definição: “Desejo, agora, apresentar a seguinte ideia. Entre um limite de idade que vai dos nove aos catorze anos, existem garotas que, diante de certos viajantes enfeitiçados, revelam sua verdadeira natureza, que não é humana, mas ‘nínfica’ (isto é, demoníaca), e a essas dadas criaturas proponho designar como nymphets.”

9. Contudo, pergunta Humbert, “são todas as meninas, entre esses limites de idade, nymphets? Claro que não. Do contrário, nós que conhecemos esse segredo, nós, os viajeiros solitários, os nympholepts, teríamos há muito enlouquecido.”

10. O livro começa com um prefácio, evidentemente falso, e inútil. É aquele tipo de prefácio muito usado por escritores, que diz mais ou menos o seguinte: “eu estava em minha casa, tranquilo, e recebi esse manuscrito misterioso pelo correio”, ou “eu estava no metrô e achei um pacote que continha…”, ou “alguém me entregou esse manuscrito, fiz pequenas correções e agora o publico”. Esse tipo de introdução busca tornar mais enigmática, misteriosa, a origem do texto e, de certo modo, retirar, despropositadamente, a “culpa” do verdadeiro autor pelo texto.

11. Nabokov é um galhofeiro. Ele brinca com o leitor e com as palavras todo o tempo. O falso prefácio dá notícias sobre alguns personagens após o final da história, diversos trechos do livro dão pistas sobre os acontecimentos futuros, não é possível ler Lolita apenas uma vez. Se o leitor faz como eu fiz, e relê o prefácio após o final do romance, descobre qual o “destino” da personagem Lolita. As palavras, os trocadilhos, os significados: Humbert Humbert; Haze (neblina), o sobrenome de Dolores e sua mãe; Clare Quilty, nome de um importante personagem, deriva de uma cidade na Irlanda, Quilty, no condado de Clare; o Acampamento Q; Dolores que significa dores, em espanhol. Nomes de ruas e de lugares e de hotéis. São muitas correlações, pistas, jogos, é quase um livro dentro do livro. Nas primeiras páginas do livro, de modo disfarçado, Nabokov já revela qual o crime cometido por Humbert.

12. A estrutura do romance: Humbert Humbert está preso, não sabemos qual crime ele cometeu, e nos conta sobre seu relacionamento com Dolores Haze, Lolita, uma menina de doze anos. Humbert escreve a história para apresentá-la diante dos jurados. Ele justifica sua atração por meninas a partir de um amor de verão na infância. Quase por acaso, Humbert se casa com a mãe de Dolores. A mãe morre em um acidente. Humbert fica com a “guarda” informal, não legalizada, de Dolores e leva a menina em uma longa viagem pelos Estados Unidos, um misto de fuga, sequestro e férias permanentes.

13. Tudo o que sabemos da história vem de Humbert. Humbert enfeita, romantiza, seus propósitos e “sentimentos” por Dolores.

14. É um livro excelente. O grande defeito do livro é a morte acidental da mãe de Dolores. Seria mais credível que, após o casamento, Humbert abusasse da menina evitando, no possível, as suspeitas da mãe, ou mesmo que sequestrasse a garota. Essa morte acidental de Charlotte é demais conveniente, artificial, o sonho de muitos maridos, o paraíso para um pedófilo.

15. Nunca conheci um pedófilo pessoalmente, tampouco li algum livro sobre essa patologia. Contudo, Humbert Humbert não me parece um pedófilo típico, se é que isso existe. Não sei se pedófilos sentem culpa e, em alguns momentos, Humbert parece se sentir culpado pela destruição da infância de Dolores. Contraditoriamente, Humbert parece continuar a “amar” Dolores mesmo quando ela já passou da idade de nymphet.

16. Nesse tipo de livro narrado de forma confessional, em primeira pessoa, só conhecemos aquilo que o narrador deseja que conheçamos.

17. Assim, Albertine, a prisioneira de Proust. Assim, Dolores Haze.

18. Braulio Tavares diz que Nabokov “se incomodava mais com o fato de Lolita, que ele vê como uma pirralha muito desinteressada em sexo, ter sido transformada, pela ilustração e pela publicidade, numa modelo de pernas longas”.

19. Lolita é uma “pirralha” muito chata e muito safada. É o que, em geral, Humbert nos mostra dela.

20. Humbert Humbert descreve Dolores como o tipo de menina insuportável, cheia de gostos, volúvel, superficial, permanentemente irritadinha, consumista. Sexualmente adiantada para sua idade.

21. Por outro lado, Humbert, vez por outra, em raros momentos, levanta a cortina da romantização e da sexualidade precoce e nos mostra o sofrimento de Dolores. Dores. E esses momentos são extremamente tristes.

22. Um pedófilo típico se incomodaria com o sofrimento de sua vítima?

23. Lolita é um prodígio de literatura, muito bem escrito, delicioso de ler, doloroso em alguns momentos, intrigante, repleto de truques e referências, pleno de nuances.

24. A vida real é muito pior e aterradora do que Lolita. Todos os dias, nos jornais de sangue, aparecem notícias de meninas e meninos abusados, muitas vezes pelos próprios parentes e vizinhos. Muitas vezes, tais abusos terminam em morte.

25. Natascha Kampusch e a história real em seu livro 3096 dias.

26. Natascha Kampusch repete mais de uma vez que não é um caso da Síndrome de Estocolmo, pois muitos a criticaram por ela ter demonstrado algum tipo de, digamos, empatia em relação ao maluco que a sequestrou. Ninguém pode sequer se aproximar de algum tipo de compreensão de toda a angústia e sofrimento daquela menina.

27. O sequestrador de Natascha se suicidou. Ela quis ir ao enterro dele, o que não foi permitido.

28. Quando Dolores recebe a visita de Humbert, anos depois da época dos abusos, ela conversa normalmente com ele, sem aparentar horror ou aversão. Humbert percebe que não significou quase nada para Dolores, apenas foi a pessoa que arruinou a vida dela.

29. Quando Dolores recebe a visita de Humbert, ela pede desculpas a ele por “tê-lo enganado tanto”.

30. Humbert pede que Dolores volte para ele. Dolores: “Pare de chorar, por favor. Você deveria compreender. Deixe que lhe sirva um pouco mais de cerveja. Oh, não chore! Lamento muito tê-lo enganado tanto, mas assim são as coisas.”

31. Duas, três, quatro vidas destruídas.

32. Humbert: “(…) alguém queria que HH existisse pelo menos durante mais uns dois meses, para fazer com que você pudesse existir na mente das gerações futuras. Estou pensando em auroques e anjos, no segredo de duráveis pigmentos, em sonetos proféticos, no refúgio da arte. E esta é a única imortalidade de que você e eu podemos compartilhar, minha Lolita.”

33. Estas são as últimas linhas do livro de Nabokov. Conforma um dos finais de livro entre os mais perfeitos que conheço.

34. Não me incomodo com spoilers, especialmente acerca de um clássico. Tampouco penso que seja necessário avisar de spoilers. Entretanto, aviso: daqui em diante, spoilers.

35. Humbert Humbert casa com Charlotte Haze apenas por estar fascinado pela filha desta, Dolores Haze, doze anos. Quando Charlotte descobre o real motivo do casamento, atravessa a rua para colocar cartas na caixa de correio, é atropelada e morre. HH leva a menina Dolores em uma longa viagem de dois ou três anos pelo país. No primeiro hotel em que se hospedam, no primeiro amanhecer, é Dolores quem o seduz. A menina já havia trocado beijos roubados com HH. A menina já havia feito sexo com um coleguinha de acampamento. Depois de meses viajando de hotel em hotel, Dolores foge com outro pedófilo, Clare Quilty, famoso autor teatral, pelo qual estava apaixonada. CQ, inclusive, estava seguindo o casal havia algum tempo. HH, enlouquecido, continua viajando e procurando Dolores sem sucesso. Dois anos depois, recebe uma carta de Dolores. Ela precisa de dinheiro, está com dezessete anos, mora com um rapaz, Dick Schiller, e está grávida. HH investiga a caixa postal de Dolores e consegue descobrir a casa onde ela mora. Vai até lá, pede que ela volte para ele, consegue que ela lhe diga quem era o homem que a levou e entrega uma boa quantidade de dinheiro à garota. HH vai atrás de Clare Quilty e mata o homem que roubou sua menina.

36. Nas primeiras páginas de Lolita, Humbert Humbert já nos revela, em forma de enigma, o nome da pessoa que ele assassinou.

37. Na prisão, HH folheia um livro sobre atores e autores de teatro, e reproduz uma das páginas do livro. Nela consta o nome de “Quilty, Clare, autor teatral” e o título de suas peças, entre elas a peça de muito sucesso Little Nymph. A seguir, HH imagina que Dolores poderia ter se tornado atriz e atuado em diversas peças, entre elas Guilty of killing Quilty, ou seja “Culpado de matar Quilty”.

38. No falso prefácio, o fictício Doutor John Ray Jr., que recebeu o manuscrito das mãos do advogado de Humbert Humbert, nos informa que o prisioneiro morreu antes de ser julgado, de trombose coronária, em novembro de 1952.

39. No falso prefácio, o fictício Doutor John Ray Jr. fornece ao leitor o destino de algumas pessoas citadas no livro, entre elas uma tal “senhora Richard F. Schiller”. Isso não tem nenhum significado para o leitor que inicia a leitura naquele momento. Contudo, quem já leu o livro até o final, sabe que a referida senhora é Lolita. Portanto, somos informados sub-repticiamente, de que Dolores Haze “morreu de parto, ao dar à luz uma menina natimorta” em dezembro de 1952.

40. Dolores e Humbert morreram quase na mesma época.

41. A primeira vez em que Quilty, em carne e osso, surge na história é no hotel dos Caçadores Encantados (Enchanted Hunters), o primeiro hotel em que Dolores e Humbert se hospedaram.

42. Meses depois, Dolores tenta confundir Humbert sobre a identidade de Quilty. Após assistirem, por acaso, uma peça de Clare Quilty e Vivian Darkbloom, Dolores contradiz Humbert ao afirmar que Vivian é homem e Clare Quilty é uma mulher. Aparentemente, Humbert não se deixou enganar pela pequena artimanha da menina.

43. De algum modo, Dolores nutria uma paixãozinha de menina pelo autor famoso, cuja família morava na mesma cidade dela. Aparentemente, Quilty havia visitado o Acampamento Q, onde Dolores passou férias.

44. Dolores fugiu com Quilty e foram a um rancho onde estavam muitos amigos e conhecidos dele. Quilty tentou fazer com que Dolores participasse de uns filmes pornográficos amadores que eles produziam no rancho. Ela se recusou e ele a mandou pastar. E a menina passou a viver por aí, em pequenos empregos de lanchonete. Prosaico. Nada romântico tampouco trágico.

45. Humbert Humbert era o pedófilo romântico, barroco, “delicado”. Clare Quilty era o pedófilo barra-pesada, pornográfico.

46. Em todo o livro, salvo engano, não há nenhuma palavra crua em relação ao sexo. As poucas descrições de Humbert são enviesadas, literárias. Somente uma exceção: Humbert diz que era intolerável saber que aquele sub-humano tinha sodomizado sua querida.

47. Quem é Capitu? Albertine? Dolores Haze? Mulheres que conhecemos pela via indireta: um homem nos conta acerca delas. De acordo com Bentinho, Capitu é mentirosa, dissimulada e libertina.

48. Alguns anos antes da publicação de Lolita, em 1948, Florence Sally Horner, de onze anos, foi sequestrada por um pedófilo, Frank La Salle, de cinquenta anos. Ele a levou em uma viagem de vinte e um meses por diferentes lugares dos Estados Unidos. La Salle se apresentava como pai da menina e, inclusive, a matriculou em uma escola de Dallas. Sally fugiu de La Salle e telefonou para sua irmã. Ele foi preso, julgado e condenado a trinta e cinco anos. Sally Horner morreu pouco depois, aos quinze anos, em um acidente de automóvel. Frank La Salle morreu na prisão, em 1966, aos sessenta e nove anos.

49. Humbert Humbert diz que uma senhora de Ramsdale aproxima-se dele cheia de suspeitas: “Será que eu havia feito a Dolly o mesmo que Frank La Salle, engenheiro de cinquenta anos de idade, fizera com Sally Horner, de onze anos, em 1948?”

50. Sete letras. Humbert e nymphet.

51. Nabokov brinca com sons e palavras da língua que não é a sua, materna. “(…) the tip of the tongue taking a trip of three steps down the palate to tap, at three, on the teeth”. “She did, indeed she did”.

52. Humbert rememora Annabel, a predecessora de Lolita. Ele e Annabel, aos treze anos, durante as férias no Hotel Mirana. Humbert e Annabel não conseguiam ficar a sós, e restava um “petrified paroxysm of desire”. Todavia, Humbert-Nabokov deixa o leitor em suspenso ao descrever o último e furtivo encontro entre os dois na areia da praia. Depois de uma “brief session of avid caresses”, dois banhistas saem do mar e dirigem palavras rudes aos dois, justo quando Humbert estava “on the point of possessing my darling”. Provavelmente, as crianças assustadas devem ter fugido da praia.

53. Depois disso, Nabokov espalha uma pitada de melancolia: “four months later she died of typhus in Corfu”.

54. O sonho acordado de Humbert: um naufrágio e sobraram ele e uma criança trêmula. O enredo do romance de Nabokov é também um sonho, a morte de Charlotte é providencial e deixa Humbert na posse irrestrita da criança. Morrer é muito difícil. Os romances deveriam ter extremo cuidado em colocar uma morte como facilitadora do enredo.

55. É impossível ler Lolita, em cada parágrafo pululam pérolas, cuidados, joalherias de linguagem, imagens disruptivas que conduzem a mente do leitor a histórias paralelas não contadas. I dissolved in the sun. Axillary russet. Diminutive romances.

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Primeiro parágrafo:

Lolita, luz de minha vida, fogo da minha carne. Meu pecado, minha alma. Lolita: a ponta da língua fazendo uma viagem de três passos pelo céu da boca, a fim de bater de leve, no terceiro, de encontro aos dentes. LO. LI. TA.

Trechos:

Oh, como ela odiava a filha. (…) No dia em que Lo completou doze anos, em 1º de janeiro de 1947, Charlotte Haze, neé Becker, sublinhara os seguintes epítetos, em número de dez entre quarenta outros, sob o tópico “A personalidade de seu filho”: agressiva, turbulenta, crítica, desconfiada, impaciente, irritável, curiosa, apática, negativista (sublinhado duas vezes) e obstinada. Ignorara os trinta adjetivos restantes, entre os quais jovial, cooperativa, enérgica e assim por diante. Era, realmente, de enlouquecer!

***

Ouça aqui, Lo. (…) Na ausência de sua mãe, sou responsável pelo seu bem-estar. Não somos ricos e, quando em viagem, seremos obrigados… seremos obrigados a passar muito tempo juntos. Duas pessoas que compartilham do mesmo quarto entram, inevitavelmente, numa espécie… Como é que direi?… Numa espécie…

– A palavra é “incesto” – disse Lo.

***

Frígidas e nobres senhoras do júri! Eu julgava que deviam passar meses, talvez anos, antes que usasse revelar-me a Dolores Haze; mas ali pelas seis horas da manhã, ela já estava inteiramente acordada e, às seis e quinze, já éramos, tecnicamente, amantes. Vou contar-lhes algo muito estranho: foi ela quem me seduziu.

***

(…) Lo era deixada de sentinela, enquanto Barbara e o rapazinho copulavam atrás de um arbusto. A princípio, Lo recusou-se a “ver como era”, mas a curiosidade e a camaradagem prevaleceram e logo ela e Barbara o faziam, cada uma por seu turno, com o rude, soturno e infatigável Charlie, que tinha tanto sex appeal quanto uma cenoura crua (…)

***

A loquaz Lo continuava muda. As frias aranhas do pânico desciam-me, rastejantes, pela espinha. Ali estava uma órfã. Ali estava uma criança solitária, inteiramente desamparada, com quem um adulto vigoroso, malcheiroso, tinha tido aquela manhã, por três vezes, porfiadas relações.

***

– Seu cabeça-dura! – disse ela, a sorrir-me docemente. – Criatura revoltante. Eu era uma pérola de menina e veja o que você me fez. Eu devia chamar a polícia e dizer que você me violentou. Oh, seu velho sujo, sujo!

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(…) começou a queixar-se de dores, disse que não podia sentar-se, que eu havia rompido algo dentro dela.

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Jamais vibrou sob o meu contato, e um “o que é que você está fazendo?” foi tudo o que consegui obter em troca de meus esforços.

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E vejo-me a pensar, hoje, que aquela nossa longa jornada não fez senão conspurcar, com uma sinuosa estrada de lama, o encantador, confiante, sonhador, enorme país que, então, visto retrospectivamente, não era para nós mais do que uma coleção de mapas dobrados, guias de viagem estragados, pneumáticos velhos e os soluços de Lo em meio da noite – todas as noites, todas as noites – Lo, em que eu fingia que estava dormindo.

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Querido Papai: Como vai tudo? Estou casada. Vou ter um bebê. Desconfio que ele vai ser grande. Penso que chegará lá pelo Natal. Esta é uma carta difícil de se escrever. Estou ficando maluca, pois não temos o suficiente para pagar nossas contas e sair daqui.

***

(…) nada poderia fazer com que a minha Lolita esquecesse a imunda luxúria que eu lhe infligira.