Título Original: Thirteen Reasons Why
Autor: Jay Asher
Páginas: 256
Tradução: José Augusto Lemos
Editora: Ática
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Sabem aquele livro que todo mundo na face da Terra indica e fala bem? Pois então, Os 13 Porquês é esse tipo de livro. Eu sempre tive vontade de lê-lo, já que todos os migos me indicavam e diziam que era a melhor história que eu leria na minha vida. É um livro bom? Sem sombra de dúvidas. Me marcou da forma que achei que marcaria? Infelizmente, não.
Clay Jensen é um adolescente como todos os outros até ser surpreendido por um pacote sem remetente. Dentro da encomenda havia apenas sete fitas cassete marcadas com esmalte, enumeradas de 01 a 13. Quando ele coloca a primeira fita para tocar, despretensiosamente, Clay se dá conta de que a voz da gravação é de ninguém menos que Hannah Baker. É claro que seria um fato comumm se Hannah não estivesse morta: poucos dias antes a garota cometera suicídio e as fitas explicavam os motivos que a fizera chegar a esse ponto.
Em cada um dos lados das fitas, Hannah conta uma história que envolve alguém que teve um papel findamental em sua decisão. Clay não consegue imaginar o que possa ter feito de tão terrível, então sua única alternativa é ouvir as fitas até chegar na sua história e, sem discutir, passar as fitas para o próximo integrante da lista.
É importante estarmos consciente do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor.
Suicídio é, provavelmente, um dos temas mais difíceis e delicados de ser tratado, além de ser totalmente incompreendido. Ninguém pode adivinhar o quanto nossas palavras e ações podem interferir na vida de uma pessoa. Um bullying sofrido na escola (coisa que é super comum e TODO MUNDO insiste em ignorar), palavras maldosas, brincadeirinhas de mal gosto... Todas essas "besteirinhas" que parecem mínimas podem e provavelmente irão mudar o psicológico de alguém.
O sofrimento de Hannah é totalmente real. Ela passou por tanta coisa horrível que você ou eu poderíamos ter passado... E o pior é que ninguém conseguia enxergar, por mais óbvio que fosse. Não consigo explicar direito a raiva que eu sentia de todo mundo ao redor dela, de como ninguém tentava ajudar e de como não davam a mínima, mas ao mesmo tempo eu sentia raiva da própria Hannah, que afastava as únicas pessoas que pareciam se importar de verdade com ela. E nossa, não consigo nem imaginar como Clay se sentiu ao ouvir todas as histórias e, de verdade, não queria estar na pele dele. Por mais que ele não seja diretamente responsável pela morte da garota, é uma culpa que ele carregará para a vida inteira. E sim, essas coisas podem acontecer conosco também.
Ninguém sabe ao certo o impacto que tem na vida dos outros.
Me identifiquei bastante com a história do livro, mas poderia ter gostado muito mais dele se eu tivesse me apegado à personagem. Clay é maravilhoso, mas não conseguia sentir nada pela Hannah, mesmo com tanta coisa terrível acontecendo com ela. Isso atrapalhou consideravelmente a minha opinião. Não sei se dá para entender, mas eu sentia e não sentia pena dela ao mesmo tempo, gostava e não gostava dela, entendia e não entendia. Sentimentos complexos e controversos demais.
Os 13 Porquês é aquele tipo de livro que deveria ser leitura obrigatória nas escolas, talvez assim mudasse a opinião de várias pessoas sobre o tema. E a moral é totalmente clara: talvez as coisas que pensamos que sejam bobagens podem mudar completa e drasticamente a vida das pessoas.
