Os planos para Maio são os planos para Abril vitaminados.

Tem de ser, porque preciso de lutar para reverter a deterioração mental que sinto, seja em razão da idade ou de “brain rot”, uma expressão cunhada pelo Oxford English Dictionary para descrever

Uma perceção de perda de inteligência ou de capacidade de pensamento crítico, especialmente (em uso mais recente) quando atribuída ao consumo excessivo de conteúdos ou materiais pouco estimulantes ou fúteis. Atualmente, também se refere a conteúdos ou materiais que se considera terem esse efeito.

Mas se pensam que o termo é recente, já H. D. Thoreau, no seu Walden (1854), referia-se à podridão cerebral como um mal que precisava de tanta atenção como a podridão da batata.

Todavia, já não é apenas uma mera percepção, pois amplos estudos revelam que

a multitarefa digital representa uma carga cognitiva significativa, ao interferir na aprendizagem profunda, na retenção da memória
e na cognição complexa (Edwards e Shin 2017, Pennycook e Rand 2022, Siddarth et al. 2025). Zhong et al. (2024) relataram que estes défices afetam a educação, a vida profissional e o funcionamento social e de desenvolvimento de forma mais abrangente.

A boa notícia é que, segundo a neurocientista Maryanne Wolf, processos de leitura aprofundada ajudam a reestruturar e retreinar regiões neurais de forma a aumentar a complexidade e as nuances do que somos capazes de compreender.

Em suma, ler todos os dias é importante como prática de focar a mente na concentração de pensamento estruturado, de organizar ideias e informações e conseguir treinar a mente para uma prática mais concentrada e disciplinada.

Não resisto a partilhar um vídeo de Cal Newport, um minimalista digital que sugere uma lista de 5 práticas para reverter o brain rot:

  1. Ler todos os dias
  2. Não evitar escrever
  3. Passeios para pensar
  4. Ligar o telemóvel à ficha
  5. Aprender uma competência difícil

No fundo, Carl Newport cria um plano de actividades sustentadas na literatura científica para contrariar o declínio cerebral:

Foi demonstrado que o reforço da função cognitiva através de atividades como a leitura, a resolução de problemas e a participação em debates intelectuais melhora a memória e as capacidades de pensamento crítico (Chang et al. 2021, Howard et al. 2023). Além disso, gerir o stress através da atenção plena, da meditação e de pausas regulares ajuda a reduzir a sobrecarga cognitiva e a exaustão emocional, uma vez que o stress crónico e os níveis elevados de cortisol têm sido associados à atrofia do hipocampo e a défices de memória (Lupien et al. 2009).

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Dar prioridade ao sono, ao exercício físico regular e a uma alimentação saudável para o cérebro, rica em ácidos gordos ómega-3 e antioxidantes, contribui ainda mais para o bem-estar cognitivo, promovendo a neurogênese e reduzindo a inflamação (Gomez-Pinilla 2011). As interações sociais também desempenham um papel crucial — fomentar ligações na vida real, participar em passatempos offline e limitar a gratificação instantânea podem aumentar a resiliência mental e a estabilidade emocional (Holt-Lunstad et al. 2015). Ao integrar estas estratégias, os indivíduos podem mitigar os efeitos negativos da sobreestimulação digital e do stress, protegendo assim a sua saúde cognitiva e prevenindo a deterioração cerebral.

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Leiam muito. Leiam bem.