A recém formada e estóica-rabugenta-emancipada jornalista Skeeter (Emma Stone) e duas empregadas negras, Aibileen (Viola Davis) e Minny (Octavia Spencer) são o trio de protagonistas da história e do filme.
Tudo tem início com a decisão de Skeeter de escrever um livro sobre o racismo, que tendeu a crescer, desde os anos que esteve ausente a estudar. Perante a sua incredulidade em aceitar fazer parte dos costumes desumanos da sociedade em que vive, ela convence Aibileen, a empregada de uma sua amiga, a ajudá-la a por em papel as tamanhas injustiças a que ela foi e continua sendo vítima, por causa da cor da sua pele. Não tarda a que outras empregadas domésticas em segredo também ditem os seus infortúnios.
Estas serviçais vivem com medo das suas patronas, mulheres imaturas, egoístas, preconceituosas, doentes, que as humilham e riem delas á frente das suas fúteis amigas, também ególatras e desesperadas.
Mulheres maduras – em idade – que despedem as empregadas domésticas, porque estas, sem culpa, as deixaram mal vistas, aos olhos das suas amigas. Se estas mulheres tratam as suas empregadas desrespeitosamente, o mesmo acontece com os seus rebentos, os filhos. Elas apenas ensinam as crianças a não usar a mesma casa de banho que as empregadas de cor.
As serviçais são as educadoras, as amas carinhosas, atenciosas, que sustentam as crianças com o seu amor contínuo e condescendente. Quando Minny segura e olha a “sua” menina e sussurra: “You are beautiful. You are strong. You are important”, é uma das partes mais bonitas do filme.
A cena final é também de beleza sublime. Metaforiza o Caminho de cada e de todos nós - brancos, pretos, amarelos. E a música de Mary J. Blige "Living Proof" não podia ser mais adequada para tornar o fim desta história, uma misto de redenção e perdão.
Terminada a música, levanto-me e apercebo-me que a maioria das pessoas que foram assistir à mesma sessão do que eu, entretanto já tinham ido embora, aquando do início da música. Se calhar perderam o melhor. Se calhar estavam fatigados de um filme de duas horas.
Todo o cinéfilo tem conhecimento de que os Oscares estão “à porta” e é sabido que falta uma semana para a tão aguardada lista de nomeados venha à tona. Atrevo-me a dizer que The Help será um filme que estará com a luz projectada não só filme em si, mas em algumas actrizes que vestiram muito bem as personagens. Emma Stone, Viola Davis e Octavia Spencer. Esta última no passado dia 15, nos Globos de Ouro venceu na categoria de melhor actriz-secundária. Espero que as outras duas actrizes sejam nomeadas também.
As indumentárias da época 60’s, os adereços, os penteados, os carros clássicos e todo o revivalismo que foi recriado merece um elogio pela primazia e pelo espectáculo que faz aos olhos de quem vê o filme. Contudo, o filme perde um pouco de brilho pelo seu “excesso visual” rosa, que poderá dispersar um público masculino.
