& um vampiro com dentes de castor, que não
param de crescer
& é a luta do Gardel do bordel contra o cartel
de Bordeaux
& se o Ministério da Defesa não resolve, seria
melhor criar um Ministério do Ataque
& o fundo de um lago tem mais revelações do que
sua superfície
& a Genética ainda será capaz de nos fornecer
peixes sem espinhas e galinhas com seis corações
& é aquela exceção que ajuda a tornar mais
nítida a regra
& bem que os roteiristas podiam começar a
considerar o conceito de Sub-Heróis
& o ar está cheio de pegadas do meu corpo
& quando o locutor diz “ainda tem muito jogo
pela frente” é porque a coisa não está nada boa
& sapo que engole bomba pula mais longe do que
pretendia
& meu preço por frase é dois reais – um real
material e um real simbólico
& nós dois somos iguais e diferentes, como duas
bolachas do mesmo pacote
& vagaroso como uma constelação se desmanchando
& a vela diminui de tamanho para que a chama permaneça
a mesma
& aquela casa tem uma energia tão ruim que o
sol chega na janela e não entra
& pelo menos ainda não inventaram a moda de
todo mundo andar com um apito ao pescoço
& se derem um jeito de reunir a I. A. e a
telequinésia, talvez eu me anime um pouco
& certas lembranças desaparecem tão lentamente
quanto um corpo jogado no matagal
& quando estou comendo na casa alheia, minhas
mãos viram dois pés descalços
& toda madeira já foi árvore, todo plástico já
foi petróleo, todo vidro já foi areia
& galinha cega também põe ovo
& a única coisa na Natureza que se reproduz
espontaneamente é a besteira
& a literatura não tem como base a palavra, e
sim a frase
& quem tem panela não tem medo de goteira
& eu me preocupo mais em rua cheia do que em
rua deserta
& tem discussão em que a gente entra
esmolambado e sai príncipe-rei
& trabalhar assim é um pouco como comer com
faca e colher
& o que é simétrico dá às vezes a ilusão de que
é certo
& não, não é a luz no fim do túnel, acho que é
a lua no fundo do tonel
& será que os cavalos-robôs comem grama
sintética?
& o tempo do corpo é linear, o da mente é
não-linear, o da imaginação é 3-D
& você não vale uma baga de bagulho, uma casca
de basculho, um farelo de carvão
5247) Contracapa de Claude (4.8.2026)
aforismos contemporâneos, literatura experimental, reflexão existencial, estética do absurdo
Texto originalmente publicado em Mundo Fantasmo
