Na viagem do Comboio Literário este fim-de-semana houve uma história muito bonita. Entre muitos adultos, mais de cento e cinquenta, quase todos com mais de quarenta anos, estavam dois rapazes, um já a fazer o mestrado, e uma rapariga mesmo novinha, provavelmente ainda a estudar no Secundário ou no primeiro ano da universidade. Contou que fazia anos por estes dias e tinha pedido aos pais a inscrição no Comboio Literário como presente de aniversário para poder viajar com escritores e leitores, e ir a debates, conversar com gente que também gosta de ler e pedir autógrafos a alguns dos «seus» autores. Pode ser que seja uma excepção, mas dá-nos alguma esperança encontrar jovens assim quando tudo indica que a imagem vai ter cada vez mais força do que a palavra e que as pessoas lerão textos cada vez mais curtos. Talvez o segredo seja apanhar os leitores ainda novos e escolher com cuidado o que os pode seduzir como obra literária, o que lhes pode agradar. Proponho, por exemplo, Luís Sepúlveda e O Velho Que Lia Romances de Amor, ou então Cão como Nós, de Manuel Alegre, um escritor que amanhã completa 90 anos. Escolham também os leitores deste blogue livros para os vossos filhos, se os tiverem. Não os deixem parar de ler.