A crónica é um género maior, e a Associação Portuguesa de Escritores tem até um prémio que lhe é muito justamente dedicado. Entre autores vivos, temos cronistas de excelência, como Luísa Costa Gomes e Dulce Maria Cardoso, por exemplo, mas basta abrir os jornais actuais para vermos como são bons cronistas José Tolentino de Mendonça, António Araújo, Ana Bárbara Pedrosa, Pedro Mexia ou Ricardo Araújo Pereira. Luísa Sobral, depois da sua fulgurante estreia literária com Nem Todas as Árvores Morrem de Pé, um romance que vai na 15.ª edição, atreveu-se às crónicas num livro mesmo bonito que ilustrou com aguarelas suas (incluindo a da capa). Se se quer rir com a aselhice da autora para armar uma tenda no jardim para os filhos ou indignar-se com a desfaçatez com que um médico faz perguntas inconvenientes, Da Minha Janela (assim se chama a obra) chamá-lo-á a ver uma paisagem que podia ser também a sua, porque é impossível não nos identificarmos com estes belos textos que escrevem o dia-a-dia contemporâneo de Luísa Sobral e, afinal, o de todos nós.

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