Dirigido por Dani de la Torre e estrelado por Mario Casas, Mariela Garriga, Luis Zahera e Nora Navas, “Agente Zeta” abre com quatro ex-oficiais da inteligência espanhola mortos quase ao mesmo tempo em embaixadas espalhadas pelo mundo. Tudo começa com sangue e silêncio. A investigação do CNI liga os assassinatos à antiga Operação Ciénaga, realizada na Colômbia, e chama Zeta para localizar o único sobrevivente conhecido antes que a limpeza termine. No encalço da mesma pista surge Alfa, agente colombiana que sabe mais sobre o caso do que os espanhóis gostariam de admitir.

Uma caça entre países

Esse ponto de partida é forte porque junta uma caçada internacional com um passado de Estado mal enterrado. O tabuleiro logo fica maior. Não se trata apenas de achar um ex-integrante foragido nem de impedir novos assassinatos, mas de seguir o rastro de uma operação feita 35 anos antes na Colômbia e agora reaberta por mortes em solo diplomático. Quando Zeta cruza fronteiras e encontra uma adversária que conhece os buracos da versão oficial, o suspense se apoia numa dúvida bem concreta sobre quem ainda protege os restos de Ciénaga.

As passagens por Rio, Tallinn e Espanha dão ao longa uma escala rara no thriller espanhol recente, e a perseguição pelas ruas do Rio concentra boa parte da energia. Ali o corpo pesa. Dani de la Torre se mostra mais seguro quando larga a explicação e põe carros, correria, curva fechada e risco imediato no centro da cena. Nesses momentos, “Agente Zeta” encontra um passo mais firme, e Alfa ajuda bastante porque nunca entra apenas como obstáculo ou parceira dócil, embaralhando a missão a cada novo deslocamento.

Quando a tensão cai

Nem tudo anda no mesmo nível. Quando a história alterna espionagem internacional com drama familiar, a tensão perde força e a busca pelo sobrevivente deixa de ocupar o primeiro plano. O problema aparece de forma muito visível no contraste entre a série de homicídios nas embaixadas, a ligação com o CNI e com a Colômbia, de um lado, e as pausas íntimas, do outro. Há uma quebra de pulso ali, como se a perseguição abrisse espaço demais para conflitos que não carregam o mesmo peso do caso.

Luis Zahera é quem melhor aproveita esse terreno de mortos, sobreviventes e contas antigas jamais encerradas. Ele entra em cena e pesa. Mario Casas segura a linha física do agente convocado para encontrar o último elo vivo da Operação Ciénaga, correndo entre arquivos enterrados, fronteiras e versões truncadas do passado. Mariela Garriga, como Alfa, reforça essa tensão porque muda a hierarquia da caça, já que conhece a operação colombiana por dentro e obriga Zeta a agir quase sempre um passo atrás.

Por isso, “Agente Zeta” chama atenção menos por vender um herói de exportação e mais por colocar Espanha e Colômbia no mesmo tabuleiro por meio de mortes em embaixadas, arquivos escondidos e uma perseguição que não para na primeira esquina. O melhor está nessa combinação. Quando o filme se mantém perto desse núcleo, com Rio, Tallinn, CNI, Alfa e o sobrevivente no centro, a máquina gira com mais firmeza do que nos desvios familiares. Fica a imagem do asfalto quente, do corpo virando a esquina e de uma pasta antiga aberta sobre a mesa.

António Félix da Costa: Um homem musculoso sem camisa sentado à beira de um lago ou rio, acariciando um cachorro labrador deitado ao seu lado. Ao fundo, uma encosta com vegetação.

Dirigido por Dani de la Torre, “Agente Zeta” reúne Mario Casas, Mariela Garriga e Luis Zahera numa história que começa com ex-oficiais mortos em embaixadas e volta à Operação Ciénaga, na Colômbia. Zeta entra em campo para localizar o único sobrevivente conhecido, enquanto Alfa surge pela mesma pista com informação de sobra. Entre Rio, Tallinn, arquivos escondidos e um passado de Estado mal enterrado, a tensão cresce mais quando a perseguição ocupa o centro.