O jornal britânico The Guardian publicou uma lista dos 100 melhores livros de ficção (romances, sobretudo) publicados desde sempre em língua inglesa, mas por autores de qualquer país (sim, estão lá Pedro Páramo ou Cem Anos de Solidão, mas quase não há livros franceses, por exemplo, e o Memorial do Convento não consta). É uma lista feita por escritores e críticos de todo o mundo. O jornal pediu a 172 autores, críticos e académicos que apontassem os seus 10 romances de eleição e os pusessem por ordem de preferência; depois, atribuiu uma pontuação a cada título, consoante o número de vezes em que tinham sido escolhidos, assim achando os 100 mais votados. Penso que estes votantes devem rondar a minha idade, pois eu, surpreendentemente, quando vi a primeira metade da lista (dos 41 aos 100) percebi que tinha lido muitos dos títulos e fiquei aliviada (quanto mais livros lemos, mais ignorantes nos sentimos). No dia seguinte, saíram os romances mais votados (do 1 ao 40) e também eram, na generalidade, conhecidos (nem todos lidos, lamento), embora aqui já houvesse um ou outro título para mim desconhecido (The Prime of Miss Jean Brody, de Muriel Spark, ou Their Eyes Were Watching God, de Zora Neale Hurston). Claro que a lista é muito discutível, porque cá para mim faltam muitos autores notáveis; mas, como não sei se estão traduzidos em inglês (no Reino Unido só cerca de 3% dos livros publicados são traduções), pode ser essa a razão de tão estranha omissão. Também se vê que os britânicos gostam sobretudo de autores britânicos (a senhora Virginia Woolf nunca falha e tem mais de um título seu no rol), mas vale a pena consultar a lista e cada um fazer a sua própria análise. Deixo-a aqui. Divirtam-se.