Num tom minimalista, quase como se fosse um mantra, o poeta inglês cria um poema com ritmo contemplativo, à maneira de uma meditação de estrutura simples, didática, embora não dogmática, fazendo-nos ver que não devemos buscar no exterior aquilo que podemos encontrar dentro de nós mesmos – o florescer de nossa própria consciência, lenta e naturalmente expansível como uma flor de lótus.
Ao despojar Buda de seu halo místico, Mitton aproxima-o do leitor contemporâneo, sugerindo que a espiritualidade – e, por extensão, a paz interior, a iluminação e a sabedoria – não requerem, necessariamente, a presença de intermediários ou mesmo de ritos, mas sim de quietude e de auto-observação, ainda que estejamos enredados no “lodo” da vida, com os seus agitos agônicos, as suas mundanas dissensões.
J.A.R. – H.C.
Tony Mitton
(1951-2022)
Buddha
The Buddha is not a god,
but human.
The Buddha’s image
is not an icon to be worshipped.
The Buddha is you,
is me.
The Buddha you see
is just a reminder.
It says, simply,
‘All you need is this,
this quiet sitting.
The answer is inside you.
You carry it like a seed.
Only listen inwardly
to stillness and to silence,
beneath all thought,
emotion and sensation,
to know the lotus
as its flower unfolds.’
O Grande Buda
(Erich Kips: artista alemão)
Buda
O Buda não é um deus,
mas humano.
A imagem de Buda
não é um ícone a ser adorado.
O Buda és tu,
sou eu.
O Buda que vês
é apenas um lembrete.
Ele diz, simplesmente:
“Tudo de que precisas é isto,
este sentar tranquilo.
A resposta está dentro de ti.
Tu a carregas como uma semente.
Basta prestares atenção interiormente
à quietude e ao silêncio,
por baixo de todos os pensamentos,
emoções e sensações,
para conheceres o lótus
à medida que sua flor desabrocha.”
Referência:
MITTON, Tony. Buddha. In: ESIRI, Allie (Ed.). A poem for every day of the year. Illustrated by Zanna Goldhawk. 1st publ. London, EN: Macmillan Children’s Books, 2017. p. 217.
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