Comprei esse livro depois de ler parte da resenha de Lady Sybylla no Momentum Saga. Ela dá um panorama muito legal da história, vai lá ver. Minha resenha é um complemento menor à dela.
Contém spoiler!
Depois de captar uma música vinda “das estrelas”, um pesquisador do radiotelescópio de Arecibo comunica a descoberta a seus amigos e depois ao mundo. Um dos amigos é um jesuíta que avisa a seus superiores da Companhia de Jesus e logo a Companhia e o Vaticano preparam uma missão para a viagem espacial até o planeta de onde provêm as emissões. A tripulação é inacreditável: quatro jesuítas, uma médica e seu marido engenheiro, o pesquisador de Arecibo, uma especialista em informática. A nave vai ser um asteróide equipado com motores e escavado para formar os compartimentos necessários.
Quando eles chegam ao planeta, encontram-se e passam a conviver com uma espécie de “humanos” tribais, coletores, vegetarianos, os Runa. Há outra espécie de “humanos” no planeta; os Jana’ata são carnívoros, mais desenvolvidos tecnologicamente e habitam cidades. A maior parte do tempo, os terráqueos ficam vivendo com a tribo e fazem apenas uma visita quase secreta à “cidade grande” acompanhados de um comerciante Jana’ata.
De repente, por vários motivos, dá tudo errado, uma tropa invade a tribo para pegar os bebês – os carnívoros comem os bebês, os terráqueos se metem e morrem todos exceto dois jesuítas. Destes, mais um vai morrer em cativeiro na cidade. O outro, Emilio, o protagonista da trama, vai ter suas mãos inutilizadas e ser vendido para uso sexual de um “príncipe” e poeta, aquele que fazia as músicas captadas no início, juntamente com sua curriola de poetas. As músicas são derivadas das experiências sexuais do grupo.
Outra missão da Terra, aparentemente mais profissional, consegue libertar o jesuíta restante e enviá-lo de volta para a Terra, destruído física e mentalmente. Aqui, ele começa sua difícil recuperação.
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É um livro que prende a atenção do leitor pois, já de início, saberemos que a missão dos jesuítas deu errado e somente Emilio voltou. A história é contada em dois tempos, o passado e o presente, uma técnica chata que não acrescenta nada ao romance. O livro é divertido, interessante, e traz muitos questionamentos sobre os desígnios divinos. A ideia de um asteroide como nave espacial é bem bacana: o asteroide é dotado de motores e escavado para criar compartimentos adequados.
Entretanto, exige-se muita suspensão de descrença para aceitar que uns “cabas” sortidos sem nenhuma formação para missões no espaço formem, de repente, a tripulação de uma nave espacial. O jesuíta que vai pousar o módulo no planeta da música, por exemplo, tem como currículo ter pilotado jatos Harrier. A autora sequer gasta um tempinho para que os personagens pesquisem a atmosfera do planeta; eles descem do módulo de pouso e saem respirando e caminhando.
Os personagens Emilio, Sofia e Anne são melhor desenvolvidos; os outros são figurantes. A autora gasta quase a totalidade das páginas com eventos “positivos”; tudo dá certo para os personagens, a viagem, o pouso, os dias iniciais, a vida com os Runa, até mesmo a visita estranha à cidade dos Jana’ata. Então, de repente, dois terráqueos morrem em um ataque de um caçador e os outros morrem na luta entre a tropa Jana’ata e a tribo. Fica Emilio e pronto. Inclusive, a ingenuidade e a falta iniciativa dos terráqueos é inacreditável e incômoda. Ninguém percebe que os mais evoluídos do planeta dominam e exploram as tribos Runa. Os terráqueos aceitam visitar a cidade às escondidas e em nenhum momento buscam contato com cientistas e governantes, restando à mercê de um comerciante marginal na sociedade Jana’ata. Emilio, o jesuíta especializado em linguística, se engana e permite que suas mãos sejam feitas em frangalhos pelo comerciante e sua equipe. Dá raiva. Sofia e Emilio são profundamente atraídos um pelo outro, mas Sofia se junta com Jimmy, um babaquara.
Resumo: é um livro mais ou menos, divertido, curioso, mas também simplista, rudimentar. Dá para ler e até para reler, vai quem quer, distrai por um final de semana e dá até umas conversas com amigos.