Gosto de ler romances de formação, aqueles em que acompanhamos o crescimento de um protagonista geralmente desde a infância ou da adolescência. Todos conhecemos livros assim (David Copperfield, Huckleberry Finn, O Apanhador no Campo de Centeio, O Meu Pé de Laranja Lima, Retrato do Artista Quando Jovem, A Montanha Mágica, A Amiga Genial...); mas há uns quantos não tão óbvios que também são romances de formação, como o excelente La Coca, de Rentes de Carvalho, que fez as minhas delícias num certo verão e me levou a outros romances do autor. Acabei há pouco mais um romance de formação, desta feita Setembro Negro, de Sandro Veronesi, um autor de que tinha lido já o magistral O Colibri, de que fizeram um filme não horrível, mas que fica muito aquém. Este Setembro Negro é a história de um Verão que torna um rapaz adulto, seja por questões de paixão (é a sua primeira experiência amorosa, aos 12 anos, e a menina é a vizinha de toldo na praia); seja por questões de maturidade (é preciso decidir entre a rapariga e os Jogos Olímpicos, o que é mesmo difícil); seja até pela descoberta de contratempos bastante inesperados no seio da família, mas também no seio do mundo, porque tudo se passa em 1972, nos Jogos de Munique, em que uma data de atletas foram sequestrados e mortos. O final é muito surpreendente, mas o que leva até ele é de longe mais interessante, e a cena de como dançar leva ao primeiro beijo a sério é inesquecível. E a capa do livro é linda, com o rosto do protagonista a ver-se à transparência na vela de um barco. Um autor a que ficar atento.