Os meus livros preferidos são aqueles que falam sobre temas pesados que ninguém gosta de falar na vida real. Em O Último Adeus, temos exatamente isso. Lex, que tem apenas 18 anos, está passando por um momento extremamente difícil: seu irmão mais novo se matou na garagem de casa há algumas semanas e não está sabendo lidar com a situação. Mas quem saberia, não é mesmo? Para tentar superar, o terapeuta de Lex pede para que ela escreva um diário expressando os seus sentimentos. 

Lex é aquela personagem que eu amaria ser se tentassem me colocar em um livro: é totalmente CDF, ama matemática (inclusive sou perseguida eternamente por integrais e pela Sequência de Fibonacci, nem os livros me dão sossego mais), Ciência no geral e seu sonho é ir para o MIT — Massachusetts Institute of Technology. E, é claro, como todo protagonista de livros que tratam o suicídio, ela se culpa pela morte de Tyler. Além de lidar com a ausência do irmão e essa culpa que quase a consome, tem que lidar com a mãe, que está bebendo demais e chora o tempo inteiro. 

Durante todo o livro eu só queria pegar a Alexis, colocar dentro de um potinho e carregar comigo só pra ela saber que não está sozinha. Principalmente porque ela passa 3/4 da história naquela fase que, além de culpar a si mesma, coloca a culpa em todos ao seu redor. Por exemplo, para ela, o pai é culpado por ter se divorciado da mãe; o ex-namorado é culpado por tê-la distraído no momento em que o irmão mandou uma SMS para ela, pouco antes de atirar no próprio peito e por aí vai... Então isso tudo faz com que ela se afaste dos amigos e de todas as outras pessoas que se importam com ela. 

Porque eu contei a ele sobre o buraco em meu peito. Sobre como tenho a impressão de que vou morrer nas vezes em que o buraco aparece. Que estou morrendo de medo que esses momentos aconteçam cada vez mais, e de que eles durem cada vez mais tempo, até que eu só sinta o buraco, e então, talvez ele me engula para sempre. (p. 43) 

Apesar de nunca ter acontecido um caso desses com pessoas próximas a mim (a morte, sim, mas não o suicídio), eu me toquei muito com o livro. Não leiam esperando uma reviravolta, um mistério, nem nada do tipo. O livro é como se fosse um desabafo, sabem? É muito fiel à realidade, principalmente porque Cynthia Hand passou por tudo o que Lex passou, então ela soube desenvolver muito bem os sentimentos da protagonista. Ah, não se enganem: o livro é totalmente ficcional. Cynthia Hand não é Alexis Riggs, ok? 

O mais interessante de tudo é que, com o passar do tempo, Lex acaba voltando a se socializar... Volta a ter contato com amizades antigas, sai do poço de tristeza e solidão em que estava vivendo. É claro que ela nunca esqueceu o irmão e não irá parar de sentir falta dele, mas a partir do momento em que percebeu que nunca poderia ter o salvado — coisa que, infelizmente, só ele mesmo poderia ter feito —, ela se libertou. 

O Último Adeus é um livro maravilhoso que mostra como conseguimos, com a ajuda das pessoas que amamos, da a volta por cima, por pior que seja a perda ou o problema.

Título Original: The Last Time We Say Goodbye

Autora: Cynthia Hand

Páginas: 352

Tradução: Carolina Coelho