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Out24
Vera
Aviso: suicídio
Tinha este livro há anos e, não vou mentir, a escolha de leitura não se deveu propriamente a um grande desejo de o ler. Comprei-o na altura em que a série da Netflix foi lançada mas, com o passar dos anos, sinto que a série me foi caindo mal e, por isso, olhei para o livro e pensei "vou ler para poder seguir em frente desta história de uma vez por todas". E bem, agora posso - mesmo que tenha acabado a gostar um pouquinho mais do que esperava.

Para quem não conhece, Thirteen Reasons Why envolve algumas cassetes gravadas por Hannah Baker - mais especificamente, são treze lados para treze pessoas da sua escola, com quem interagiu e que, de uma forma ou de outra, tiveram um pequeno (ou grande) papel no seu suicídio. Neste livro, somos apresentados a Clay - uma das treze pessoas, sendo que chegou a sua vez de ouvir as cassetes e saber toda a verdade.
Vi algumas pessoas dizerem que acharam estas razões demasiado pequenas e irrelevantes para levar a um suicídio, mas discordo - não pela eventual pequenez, mas porque não acho que me cabe decidir isso sobre quem quer que seja. Não podemos ditar a importância que algo tem na vida de uma pessoa só porque, na nossa lente, é insignificante, nem temos esse direito. Estamos a falar de ficção, aqui, mas isto é algo importante de levar connosco para o mundo real - não temos o direito de dizer a alguém que está a sofrer tanto que aquilo que o está a fazer sofrer não tem qualquer importância. Aqui, ainda por cima, tratando-se de uma personagem adolescente, uma época em que tudo é tão intenso e a reputação importa tanto. E, como se isso não bastasse, temos o efeito bola de neve em que várias coisas vão acumulando e de repente temos uma montanha de problemas em frente.
Adiante, uma das principais críticas que tenho é a falta de profundidade. Nas personagens, dado que não nos é dado o suficiente para, por vezes, conseguirmos sequer distinguir entre quando é o Clay a falar ou quando é a Hannah - sendo que o livro formata as cassetes a itálico, mas há momentos em que os pensamentos destas duas personagens se entrelaçam de tal forma que nem esse suporte visual ajuda no imediato.
Mas achei um livro um pouco superficial também na história - o carinho e "relação" que existiam entre Clay e Hannah são-nos explicados, tantas vezes, mas nunca senti que fossem mostrados. O Clay parecia tão perturbado com a morte da Hannah, tão apaixonado por ela, tão emocionalmente envolvido, mas nas cenas que partilhavam a dois quase nem amigos me pareciam. Não senti a conexão entre ambos. Adicionalmente, houve certas cenas que eram pesadas por si só, mas que Jay Asher pareceu escolher passar por cima delas (spoiler alert: como a da violação da Jessica), e para ser franca não percebi essa escolha. Acho que o livro por si só já trata de temas pesados, e a história tornou-se polémica e chocante com a série da Netflix. Esta cena em específico podia e, na minha opinião, devia ter sido mais aprofundada do que foi - se é para arriscar e chocar, então deveria arriscar em tudo e não jogar pelo seguro.
Apesar disto, gostei da leitura e acabou por ser um pouco mais leve que a série, por não se focar tanto nas outras personagens quanto a adaptação televisiva o fez. Não é um livro que tenha mudado a minha vida, mas foi uma leitura prazerosa que baste.
Quem por aqui já leu?
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