04

Mai26

Maria do Rosário Pedreira

A editora da romancista norte-americana Elizabeth Strout, que esteve em Lisboa há uns tempos a lançar o seu mais recente romance (no qual apareciam personagens de vários outros livros, fechando o ciclo Lucy Barton e Olive Kitteridge), acaba de recuperar um dos seus livros antigos, com o título Os Irmãos Burgess. Estes irmãos (Bob e Jim), oriundos do Maine, fugiram de lá assim que puderam e instalaram-se em Nova Iorque, onde são advogados. Mas Jim é uma estrela (ganhou um caso ultramediático e ficou conhecidíssimo) e Bob é um pobre diabo que faz trabalho de sapa, bebe, foi abandonado pela mulher, tem pouco dinheiro e... é muito melhor do que o irmão, pois está sempre a tentar contemporizar e ajudar os outros. Desta feita, ambos sabem que o sobrinho, filho da irmã que nunca quis sair do Maine, foi acusado de um crime de ódio, tendo atirado uma cabeça de porco para dentro de uma mesquita onde rezava um grupo de refugiados da Somália. Então, deslocam-se ambos os irmãos ao Maine, para tentar ajudar o adolescente em termos judiciais, mas a verdade é que os insultos de Jim a Bob, seguidos de uma confissão sobre uma morte que aconteceu na infância, bem como o desaparecimento súbito do adolescente, mudam um pouco o rumo das coisas. Este é talvez o mais político dos livros que li de Strout, e talvez também o mais americano. Leiam-no e perceberão o que digo.

5 comentários

  • Anónimo 04.05.2026

    Aceite um conselho, caso concorde: continue e afaste-se de mães, tavares e quejandos!
  • Albertino Ferreira 04.05.2026

    Estou a acabar "O Manual dos Inquisidores" do ALA lido em diagonal para discussão num Clube de Leitura; posso dizer já que detestei como abominei um outro "Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo".
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