Por Amador Ribeiro Neto “Aí você chega a Portugal e sua vida vira um inferno”, desabafa um imigrante brasileiro na crônica de abertura de Bafo do Mondego (Urutau, 2025). A frase não é apenas um desabafo: é uma chave de leitura — ou, talvez, uma fissura. A experiência narrada rapidamente se converte em rotina: depois de entregar toda a economia como fiança de um apartamento, resta ao personagem o cerco invisível da burocracia — essa engrenagem opaca que reverbera, por quase um ano, a...