Há muitos anos, presumo que no início deste século, quando publicava os livros de José Luís Peixoto (o que, grosso modo, só durou até 2004 ou 2005), recebi de presente deste autor um romance de Margaret Atwood (ainda um dia destes encontrei o respectivo marcador, que era bem original e devo ter guardado longe do livro por causa disso). Chamava-se O Assassino Cego e ganhou o Booker Prize. Na altura achei o livro interessante, era uma história entre duas irmãs que metia um caderno no qual uma delas, antes de se suicidar, contava um relacionamento amoroso com alguém que a irmã mais velha suspeita ter sido uma das suas paixões de adolescência. Era mais do que isto, evidentemente, mas já não me lembro muito bem do resto. Do que me lembro, e bem, é curiosamente de um outro livro da autora de que não gostei nada: aquele História de Uma Serva que fez furor, foi adaptado à televisão, vendeu milhões de exemplares e trouxe a escritora canadiana para o estrelato, tornando-a uma das mais solicitadas em festivais literários de todo o mundo (a propósito, Atwood estará cá em Junho, no Porto, para o Babell). Será que o que nos marca negativamente permanece mais tempo do que tudo o que nos deixa uma leve boa impressão? Mistérios.