Capa do livro Meu Abrigo, Minha Tempestade de Arundhati Roy

Apesar de nunca ter lido nada de Arundhati Roy, nem «O deus das pequenas coisas» nem «O ministério da felicidade suprema», decidi avançar pelo seu livro de memórias que, em inglês, tem o título delicioso de «Mother Mary comes to me».

A autora indiana percorre toda a sua vida, desde a infância passada com a mãe na escola que a mesma construiu de raiz, até ter decidido afastar-se da mãe e ir para a faculdade de arquitetura, a escrita e publicação do seu primeiro livro (O deus das pequenas coisas) em 1997, que lhe valeu o Booker Prize e a sua vida de ativista depois da publicação do livro.

sentia-me algo culpada e envergonhada por o meu livro vender milhões em todo o mundo e a minha conta bancária crescer. Ser uma escritora famosa e agora rica num país de pessoas muito pobres, a maioria das quais não lê ou pode ler livros, era perturbador. Que significava aquilo? Qual era o significado de ser eu?

Ao longo de todo o livro, a sua mãe é uma personagem ausente, mas presente, cruel, mas, por vezes, inesperadamente carinhosa.

Aprendi que a melhor maneira de minimizar conflitos entre mim e Mrs. Roy era visitá-la muitas vezes, mas só por poucos dias de cada vez. Aprendi a entrar na sua órbita como um inseto astuto numa teia de aranha - recolher as asas e minimizar a superfície ao entrar e, ao sair, recuar pelo caminho já aberto, tomando todas as precauções para não me enredar nos fios da teia.

Queria abraçá-la e garantir que ia ficar tudo bem. Mas não se pode abraçar um ouriço-cacheiro.

Mrs. Roy, a mãe de Arundhati Roy, é uma personagem tão louca quanto maravilhosa. O livro começa e termina com a sua morte.

Amei este livro e fiquei com muita vontade de ler os livros de ficção da autora. Já leram alguma coisa desta autora? Digam-me se gostaram nos comentários!

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