Desde 2015 venho me dedicando ao resgate de traduções brasileiras da obra de Lord Byron, figura central do romantismo europeu e uma das personalidades mais influentes do imaginário artístico do século XIX. Sua presença estende-se para além da poesia, alcançando escritores, filósofos, pintores, músicos, etc. A construção de sua persona literária — frequentemente indissociável do mito que ele próprio elaborou — sempre me fascinou: Byron é um poeta cuja vida e obra se entrelaçam de modo singular, configurando um sujeito que se converte em mito a partir da sua experiência concreta do mundo. Autor de extensas narrativas poéticas de caráter histórico, filosófico e estético, ele constitui leitura fundamental para a compreensão do romantismo e de sua recepção no século XIX no Brasil, influenciando de maneira direta ou indireta nomes como Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães, Fagundes Varella, Castro Alves, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire, Sousândrade, entre outros.

O primeiro trabalho que resgatei foi a tradução de Pinheiro Guimarães para A Peregrinação de Childe Harold, concluída em 1841 e publicada em 1863. Embora seja uma das obras mais bem acabadas do poeta, não supera, em amplitude e complexidade, o monumental e inacabado Don Juan, sua obra-prima. Tive o privilégio de publicar a tradução integral e inédita de Lucas Zaparolli de Agustini, cuja colaboração foi igualmente decisiva em outros resgates byronianos.

Nesta edição, reúno todas as traduções integrais das narrativas poéticas de Byron que publiquei ao longo dos anos: A Peregrinação de Childe Harold e Sardanapalo (traduções de Francisco José Pinheiro Guimarães); O Corsário, Giaur e Mazeppa (traduções de João Cardoso de Meneses e Sousa, Barão de Paranapiacaba), Mazeppa aqui acompanhado do texto Augustus Darvell (em tradução inédita de Lucas Zaparolli de Agustini); Lara (tradução de Tibúrcio Craveiro); e A Ilha (também em tradução inédita de Lucas Zaparolli de Agustini). Incluo ainda O Sonho (versão de Francisco Octaviano), A Noiva d’Abydos (tradução de J. Dias da Rocha) e Parisina (versão de Pinheiro Guimarães). Optei por excluir Os Amores de Don Juan que publiquei, por se tratar de uma adaptação em prosa, condensada e distante do projeto poético original.

É importante reconhecer que muitas dessas traduções do século XIX apresentam limitações: algumas não foram realizadas diretamente a partir do inglês; outras revelam domínio irregular das técnicas de versificação; outras ainda adotam escolhas lexicais que se afastam do texto original. Apesar disso, cada tradução possui valor artístico, histórico ou documental, refletindo, de modo particular, a sensibilidade estética e os paradigmas culturais de sua época.

Claudecir Rocha, editor.

Esta edição reúne os seguintes livros:


Obras poéticas - George Gordon Byron

Vários tradutores
732 páginas 16X23 cm.
ISBN 978-85-69199-52-6

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