Susan Sontag desperta a minha curiosidade há anos. Quero muito ler vários dos seus ensaios, mas a minha única experiência com a sua obra é O Amante do Vulcão, que li em 2016 (!).
Esta entrevista para a Rolling Stone, de 1978, com Jonathan Cott, foi publicada pela primeira vez na íntegra este ano, e achei que seria um óptimo ponto de partida para voltar a explorar a sua obra. Julgo não me ter enganado.
Muita da entrevista é em torno de alguns dos trabalhos mais conhecidos de Sontag, com alguma incidência naqueles que era, à data, os seus mais recentes: On Photography e Illness as a Metaphor, entrelaçando também este último com o cancro da mama que teve em 1975 e que a inspirara a escrever sobre como as várias metáforas acabam por prejudicar os doentes.
Mas a entrevista não é só sobre estas obras: Sontag fala de literatura, de amor, de sexualidade, do seu processo criativo, do Vietname, e desconstrói o seu mundo. No fundo, mais do que sobre a sua obra, a entrevista é sobre ela. E, como Jonathan Cott coloca, no prefácio incluído nesta edição, o mais fascinante é o quão ponderadas e articuladas são as respostas a cada pergunta. A genialidade de Susan Sontag transparece, e dá uma sensação de familiaridade ao leitor que não é fácil de retirar do papel, sem um suporte audiovisual.
De certo modo, o mais difícil da escrita é estar só e ter de conversar comigo própria, o que é fundamentalmente uma atividade antinatural. Gosto de falar com as pessoas, é o que faz com que não seja uma reclusa, e conversar com alguém dá-me a possibilidade de perceber o que penso.
Talvez alguns leitores não apreciem o facto de a entrevista não seguir uma linha temática, mas sim saltar entre temas e regressar aos mesmos mais tarde; para mim, contribuiu para uma leitura rica.
E vocês, o que já leram de Susan Sontag? Que recomendam que eu leia a seguir?
Traduzido por José Lima
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