A saudosa poeta Ana Luísa Amaral tem um livro muito bonito chamado What's in a Name, e a Alice de Lewis Carroll pergunta a dado momento no País das Maravilhas se um nome tem de significar alguma coisa. No livro Os Nomes, de Florence Knapp, os nomes são o motor para três vidas diferentes da mesma personagem, um rapaz que nasce nove anos depois da irmã e que é filho de uma mãe vítima de violência doméstica que o pai trata de forma tenebrosa, um pai médico que os doentes adoram e de quem nunca ninguém desconfiaria. O romance começa com a ida de Cora, a agredida, com o filho na cadeirinha e a irmã pela mão, ao Cartório para registar o nome do filho. A pequena Maia gostaria que o maninho se chamasse Bear, a mãe preferia que fosse Julian (que quer dizer «Pai do Céu») e o agressor não põe outra hipótese senão que o filho varão tenha o seu nome, Gordon. Ora, será como Bear, Julian e Gordon que vamos assistir a três futuros distintos deste bebé, aos seus estudos e brincadeiras, às suas paixões e romances, aos seus medos e tragédias, às suas escavações e criações artísticas, sempre com um background semelhante na casa da família e sempre esperando que um destes rapazes acabe por salvar a mãe, a quem o pai conseguiu retirar o poder paternal alegando que a mulher tem distúrbios mentais (os médicos podem muita coisa) e que mantém fechada há séculos em casa. Vale a pena ler, sobretudo como exercício literário.
P. S. Para quem se interesse pela escrita de canções, hoje ao fim da tarde vou estar com o João Gobern a falar da minha actividade como letrista em Coimbra, na Casa da Escrita. Apareçam.