Conforme coloquei ali acima, li este livro (em Janeiro) para o book club do meu trabalho. Já é a segunda vez que tento implementar um book club no meu local de trabalho, e desta vez pegou.
A ideia é ler livros sobre diversidade, inclusão, etc. Flowers for Algernon, de Daniel Keyes, foi sugerido como primeiro livro, e eu já o queria ler há muito, não obstante estar categorizado como ficção científica, género que, em geral, não costumo ter muito jeito para ler, porque não consigo imaginar/visualizar coisas. Este livro, porém, não me trouxe necessariamente grandes desafios nesse sentido.
Charlie Gordon, um homem nos seus 30s com um défice intelectual, que trabalha a limpar uma padaria, escreve uma espécie de diário (“progresso reports”), a pedido de um grupo de médicos que o está a usar como objecto de estudo. Charlie foi escolhido para fazer parte de uma experiência que o poderá tornar (muito) inteligente, e este diário ajudará a registar o sucesso ou fracasso. A forma como está escrito é crua e realista - os erros ortográficos, a confusão, a forma como ele vê como positivas interacções nas quais a outra parte está a abusar dele e da sua ingenuidade. Os risos que associa a amizade, por exemplo.
Quando Charlie faz a cirurgia que irá revolucionar a sua vida, a sua escrita também muda - torna-se um génio, e começa a recuperar algumas memórias de infância, muitas delas de abuso familiar. As suas emoções tornam-se muito mais complexas, bem como as suas relações com a sua professora de “ensino especial” e com a sua equipa médica. Apesar de a sua inteligência se tornar superior à de um humano comum, emocionalmente continua a ser uma criança e a ter muito para encaixar.
Algernon, do título, é um rato, uma cobaia na qual os mesmos testes e procedimentos foram feitos. Por este motivo, Charlie afeiçoa-se a Algernon, e é assim que se apercebe que, seguindo a lógica do destino de Algernon, a sua recém adquirida inteligência será apenas temporária, e o declínio não será agradável.
No seu último “progresso report”, apesar de tudo, entende a sua situação.
Levanta questões sobre humanidade, empatia, inteligência, ética e amor. Recomendo muito.
Se estiverem em Portugal, podem comprar esta edição via wook, ou a edição em português
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PS: o segundo livro do book club foi um desastre autêntico e mal posso esperar para vos falar sobre ele.
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