Depois de Hans – Sob o Peso das Rodas e Knulp, a Dom Quixote prossegue a publicação da obra de Hermann Hesse com Rosshalde, livro originalmente publicado em 1914 e marcado por uma forte dimensão autobiográfica. Este título do Nobel de Literatura foi traduzido para o nosso idioma, pela primeira vez, em 1999, numa edição com o selo da Difel.
Escrito num período conturbado da vida do autor, pouco depois de uma viagem ao Oriente e enquanto enfrentava uma profunda crise conjugal com a sua primeira mulher, Rosshalde acompanha um pintor que vê o seu casamento desmoronar-se e se confronta com a solidão, o fracasso afectivo e a necessidade de reencontrar um sentido para a existência.
Mais do que um romance sobre o amor ou a vida familiar, a obra retoma um dos grandes temas da escrita de Hesse: a busca interior do artista por um propósito que transcenda a criação estética e a simples contemplação da beleza.
Num registo intimista e profundamente reflexivo, Rosshalde (tradução de Paulo Rêgo e nas livrarias desde 23 de Junho) antecipa muitas das inquietações existenciais que viriam a tornar Hermann Hesse um dos escritores mais influentes do século XX.Sinopse
Johann Veraguth é um pintor mundialmente famoso que vive numa propriedade luxuosa, chamada Rosshalde, juntamente com a sua esposa, Adele, e o seu filho mais novo, Pierre.
Apesar do sucesso profissional e da riqueza de que dispõe, a sua vida pessoal, marcada pela frieza emocional, por uma profunda fissura conjugal e por uma má relação com o filho mais velho, Albert, não corre de feição há muito tempo. Por essa razão, Veraguth passa a maior parte do tempo refugiado no seu atelier e nas pinturas que produz, isolado da família, chegando a tornar-se um estranho na sua própria casa.
A visita de um velho amigo, Otto Burkhardt - que questiona o estilo de vida de Johann e o convida a viajar -, acentua ainda mais a crise pessoal em que o artista se encontra. Dividido entre o seu apego ao filho Pierre, o único elemento que mantém a família unida, e o desejo de partir para alcançar a verdadeira liberdade criativa e pessoal, Veraguth tem de tomar decisões, mesmo quando tudo se começa a desmoronar.
Quarto romance de Hermann Hesse regressa às livrarias
literatura alemã do século XX, romance autobiográfico, ficção psicológica, crise existencial do artista, obra de Hermann Hesse
Texto originalmente publicado em Silêncios que Falam
