Amsterdam, Ian McEwan

Amsterdam, Ian McEwan

Capa do livro Amsterdam de Ian McEwan

Uma trama complexa, com muitas camadas de interpretação, escrita com a maestria de quem domina sua arte, contada por um narrador onisciente, mas com o uso do discurso indireto e indireto livre e inserções de sonhos, fantasias e fatos passados. O livro começa com a cena do funeral de Molly Lane, que teve um final longo e humilhante de declínio mental, tornando-se dependente de seu marido, George. A esse funeral, comparecem três ex-amantes de Molly: Clive Linley, compositor de música erudita, que está vivendo um drama complicado de inspiração e não está conseguindo terminar uma encomenda, uma sinfonia para o terceiro milênio; Vernon Halliday, jornalista e editor de The Judge, um jornal importante, mas decadente; Julian Garmony, ministro das relações internacionais, político ambicioso que pretende se tornar primeiro-ministro da Inglaterra. Garmony e George são odiados por Clive e Vernon, por causa de suas posições de ultradireita. Os dois, amigos de longa data e unidos pelo passado com Molly, fazem um pacto de eutanásia recíproca, se um deles chegar ao estágio de sua ex-amante. Vernon recebe de George fotos íntimas e comprometedoras de Garmony, tiradas por sua mulher. Os dois amigos divergem quanto à publicação e a situação entre ambos se complica e a situação de cada um dos amigos também se complica, pois há questões morais e éticas em jogo na vida de ambos, o que leva a romperem a amizade, mas precisam retomá-la e perdoar um ao outro. Para selar essa reaproximação, Vernon e Clive viajam para Amsterdam, onde o compositor pretende apresentar a versão final de sua sinfonia, finalmente concluída, e é nessa cidade que eles acertam as contas um com o outro, num final surpreendente e digno de um thriller em que as personagens se revelam por inteiro e suas escolhas acabam por mostrar seu verdadeiro caráter. Além das questões morais e éticas, podemos entrever na trama uma acerba crítica social e política, ressaltando que o livro foi publicado em 1998, em plena era da conservadora primeira-ministra Margaret Thatcher. Concluo afirmando que é um dos melhores romances desse grande escritor inglês que eu já li. Vale a pena, vale muito.

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