Conheci a editora francesa Grasset et Fasquelle ainda com Ariane Fasquelle ao leme, substituindo o pai, Jean-Claude Fasquelle, seu fundador. Após a morte de Ariane, ou ainda antes (já não me recordo), a editora foi comprada pelo grupo Hachette, um autêntico gigante editorial. O editor da Grasset Olivier Nora, respeitadíssimo no meio dos livros e amado pelos autores, continuou a sua linha editorial que, pelos vistos, o dono ou presidente da Hachette, que é de extrema-direita, achou demasiado esquerdista. Resultado: foi despedido ao fim de vinte e seis anos a fazer a editora ao lado dos Fasquelle e depois disso. A escandaleira rebentou em França, claro; e agora mais de uma centena de autores (a Grasset é uma grande editora) juntou-se para rescindir os contratos, pois não se identifica com a política da Hachette nem quer ser conotada com a Extrema-Direita. Pois é, a política está a chegar aos livros e parece que é justamente em França, um país que nos habituámos a ver como livre e aberto, que a censura está a aparecer paulatinamente. Um susto. Do grupo Hachette fazem parte muitas outras chancelas (Lattès, Fayard, Larousse...) nas quais é provável que aconteça o mesmo. Se os autores se conseguirem libertar do jugo da Hachette, esta vai perder mesmo muito dinheiro.