Jennifer Saint, Ariadne, Minotauro, 2022, 400 páginas.

Para os amantes de mitologia grega, este é um livro aconselhado.

O mito de Ariadne, a filha do rei de Creta, Minos, aquela que deu a Teseu o novela que o conduziria à saída do Labirinto depois de ter vencido o Minotauro, é aqui a narradora desta história.

Pela voz de Ariadne as personagens do mito tornam-se vivas, com as suas angústias, com os seus medos e a sua coragem, numa narrativa em que a voz feminina nos dá uma perspectiva diferente, mais humana.

Aqui as mulheres não são seres passivos, elas pensam, observam e criticam, ainda que não possam agir abertamente. No entanto, estas mulheres manifestam os seus sentimentos, revoltam-se contra as injustiças, contra a tirania, tecendo estratagemas para alcançar os seus objectivos.

Muitas outras mulheres são aqui apresentadas, as mães, as amantes, as guerreiras que lutam por si e pelos seus filhos.

E o amor é o motor da história. Presente em toda a obra é a relação entre as duas irmãs, Ariadne e Fedra, que se apoiam em todos os momentos, e que apenas a traição de Teseu acaba por separar.

É o primeiro romance da autora, uma estreia auspiciosa, que nos faz ansiar por outras histórias.

"Sabem, eu era uma rapariga de apenas dezoito anos, com a sorte de ainda poder chamar-me tal coisa. Tinha levado uma vida protegida, velada e escondida atrás de muros altos. Tive a sorte de o meu pai me ter mantido como um prémio que ainda casaria; de não me ter trocado por uma aliança estrangeira, enfiando-me num navio com destino a terras distantes para espalhar a sua influência, vendida como um animal estúpido no mercado." - p. 41

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