Cada soneto  abaixo é obtido a partir do anterior fazendo a chave ser o primeiro verso. Foi uma experiência que fiz. A princípio só iria fazer os 14 primeiros sonetos, mas, por sugestão do poeta Marco Aurélio, fiz o soneto-base, completando a coroa.

1

Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.

Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado.

Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,

Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.

2

Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.

Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.

Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,

Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura.

3

Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura;
Sem rumo, sem alento, sem dourado.

Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.

Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado.

4

Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.

Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.

Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;

Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.

5

Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.

Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.

Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,

Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvado-se em vapor atro e pesado.

6

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,

Vejo a imagem mais clara de meu fado,
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.

Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.

Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura.

7

Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,

Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado:
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.

Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.

Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado.

8

Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.

Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.

Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado:

Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.

9

Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado.

Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado.

Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,

Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.

10

Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura.

Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.

Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado;
Cegado pela escura desventura.

11

Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;

Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado.

Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.

Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado.

12

Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura.

Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura.

Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;

Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura.

13

Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura,
Atado nas lembranças do passado.

Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura,
Turvando-se em vapor atro e pesado.

Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,
Na noite mais tristonha, mais escura,

Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura,
Sem rumo, sem alento, sem dourado.

14

Sem rumo, sem alento, sem dourado,
Arrastando correntes de amargura,
Meu fado já caminha desgraçado,
Cegado pela escura desventura.

Atado nas lembranças do passado,
Sem esperança e sem qualquer alvura,
Meu fado já se tem por costumado;
Coas tristezas que exalam da negrura.

Turvando-se em vapor atro e pesado,
Entregando-se todo à vil tortura,
Tendo cada alvo sonho maculado,

Na noite mais tristonha, mais escura,
Vejo a imagem mais clara de meu fado;
Vagando pela terra em mor tristura.