Fonte:
Ler por Aí
| Publicado em: 19/03/2021
representatividade no jornalismo,
sexismo na mídia,
racismo estrutural,
literatura escrita por mulheres
Patrícia
Hoje proponho-vos um exercício básico e simples. Vão às colunas de opinião dos jornais e contem quantas são as vozes que não são de homens brancos.
6 comentários
Sim, se houver unânimidade masculina é normal mas se alguém escolher optar por dar preferência ao feminino então é sexista (tadinhos dos homens, historicamente sempre foram preteridos), feminista histérica (as boas feministas são as caladas), etc. Como se alguém tivesse alguma coisa a ver com o que tu lês.
Eu opto muitas vezes por escritoras e, infelizmente, muitas vezes isso implica um esforço consciente que demonstra a falta de oposta em livros escritos por mulheres.
É muitas vezes preciso ser uma escolha consciente - o que só demonstra como é desiquilibrada a aposta em escritores homens e mulheres.
Da Roxane Gay li o Em estado Selvagem, vou pôr o Bad Feminist na lista.
A Maria Judite de Carvalho foi uma escritora muito falada na Roda dos Livros e dela li o Armários Vazios. Tenho que me dedicar à sua obra mas eu e contos, contos e eu, não combinamos muito bem.
Maya Angelou está na lista mas ainda não li.
Claro que as oportunidades são diferentes e negam, à partida, a igualdade necessária para que todos consigam chegar aos mesmos sítios mas acho que é mais que isso. Acho que a falta de consciência para esse problema é tão problemático quanto a falta de oportunidades crónica. Quando se discute o assunto, quem o faz é logo catalogado como histérico, exagerado e como tal desvalorizado. Em dias específicos está-se muito alerta para o problema, apazigua-se a consciência e continuamos todos, felizes e contentes, na nossa vida.
E sim, se em relação às mulheres há um problema, em relação a "peles" mais escuras, ainda é pior.
Há gente muito ofendida quando se fala de machismo ou racismo estrutural mas basta parar, olhar e ter atenção.
Texto originalmente publicado em Ler por Aí