Além dos meus favoritos, alguns outros merecedores do prêmio:
SOLITÁRIOS, PINÇADOS AQUI E ALI NO MAPA:

O holandês Cees Nooteboom- Livros indicados: Dia de finados; A seguinte história:

O moçambicano Mia Couto. Livros indicados: Terra Sonâmbula, A varanda do frangipani

O albanês Ismail Kadaré. Walter Salles Jr. mostrou, com sua adaptação, como Abril despedaçado é universal. Outros títulos índicados: Dossiê H, O palácio dos sonhos

Gosto muito do paquistanês Táriq Ali pelos seus romances Sombras da Româzeira e Medo de Espelhos. Mas também acho admirável ele publicar um livro tão provocativo quanto Piratas do Caribe.

Apesar de Jorge Semprún, acho que o espanhol Juan Goytisolo também mereceria o Nobel. Livros indicados: As semanas no jardim, A saga dos Marx
BRASILEIROS
Vimos tantos escritores maiores nossos morrerem (Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, Nélson Rodrigues, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Osman Lins, Jorge Amado, Jorge de Lima, Érico Veríssimo, Murilo Mendes, só para citar alguns), que é uma tristeza imaginar que nunca tivemos um Nobel. Por isso, além de Dalton Trevisan, um dos nomes abaixo podia ser anunciado:

Alguém tem dúvida de que Raduan Nassar mereceria por Lavoura Arcaica & Um copo de cólera?

Sou particularmente fã do mineiro Autran Dourado (minha tese de doutorado foi sobre sua obra). Meus livros prediletos: O risco do bordado, Novelário de Donga Novais, Armas & Corações, Ópera dos mortos e Matéria de carpintaria: uma poética do romance

Lygia Fagundes Telles tem quatro romances lindos (especialmente As meninas e As horas nuas), mas sua obra como contista é notável (Antes do baile verde, O jardim selvagem, Seminário dos ratos, Invenção e Memória)
Rubem Fonseca merece o prêmio não por seus romances, certamente, porém pela sua extraordínárias obra como contista (Feliz ano novo, A coleira do cão, O buraco na parede).

Ariano Suassuna tem uma concepção estética muito particular e articulada, seu teatro é popular, inventivo e de grande penetração (Auto da Compdecida, O casamento suspeitoso) e há o grandioso A pedra do Reino

Nosso grande autor pós-moderno, o gaúcho João Gilberto Noll escreveu uma série de livros notáveis (Bandoleiros, Rastros do verão, Hotel Atlântico, Harmada, O quieto animal da esquina).

Confesso que não vou com a cara do “buda ditoso” João Ubaldo Ribeiro. Mas ele teve uma fase tão inspirada (Sargento Getúlio, Vila Real, Livro de Histórias), que nunca mais se repetiu, a não ser em alguns lampejos (Diário do Farol), talvez devido à vaidade, que ele não pode ser descartado. Difícil seria aturá-lo depois.
HISPANO-AMERICANOS

Irregularíssimo o mexicano Carlos Fuentes. Um livro como Terra Nostra é ao mesmo tempo ambicioso, monstruoso, cheio de coisas boas e ruins. Mas quando ele acerta, ele acerta: Aura, A morte de Artemio Cruz, Gringo Velho, o ensaio A geografia do romance…

Alan Pauls escreveu o romance (O passado) que rivaliza com Detetives selvagens, do falecido Roberto Bolaño, como livro supremo da década entre os hispano-americanos. Que estilo!

Ricardo Piglia é outro nome que não pode ser esquecido na pós-modernidade: A cidade ausente, Respiração Artificial, Nome Falso, o ensaio Formas Breves
PORTUGUESES
Este ano pude conhecer melhor a obra de Lídia Jorge através do admirável Combateremos a sombra mas AGUSTINA BESSA LUÍS é uma precedente admirável. Livros indicados: A sibila, O Mosteiro, A muralha, Fanny Owen, As fúrias, Vale Abraão).

O poeta Nuno Júdice com sua Poesia Reunida (1967-2000) e Cartografia de emoções
ITALIANOS

Pietro Citati também escreveu romanceus, além de ensaios, mas eu o acho genial com suas biografias únicas, admiráveis (Proust, Goethe)

Carlos Ginzburg mostrou que um bom relato histórico pode ser uma narrativa tão poderosa quanto uma ficção, em O queijo e os vermes. Outros grandes livros: Olhos de madeira, Mitos-Emblemas-Sinais, Nenhuma ilha é uma ilha

Claudio Magris escreve livros inclassificáveis que misturam anedotas históricas, apreensão geográfica, considerações filosóficas, análise de autores. É o caso de Danúbio e Microcosmos. Mas também é autor de uma ficção tão fina (em todos os sentidos da palavra) como O senhor vai entender.

Andrea Camilleri faria honra à grande literatura siciliana com suas obras policiais (O cão de terracota, O ladrão de merendas) e as históricas (Um fio de fumaça, Por uma linha telefônica, A ópera maldita)

Roberto Calasso tnto pode escrever finas fantasias ficcionais utilizando a mitologia (Ka) quanto ensaios maravilhosos (K., A literatura e os deuses, Os 49 degraus)

O peculiaríssimo Aldo Busi, sensação nos anos 80, com Seminário sobre a juventude e Vida padrão de um vendedor provisório de collants
ALEMÃES

O dramaturgo Tankred Dorst de Diante dos muros da cidade, mas principalmente por Merlin, a visão mais original da história

Assim como Claudio Magris, Christa Wolf escreveu um livro inclassificável, Cassandra. E o belo Em busca de Christa T.

Por onde anda o outrora tão (merecidamente) badalado austríaco Peter Handke de A repetição, O medo do goleiro diante do pênalti, O movimento errado, A mulher canhota? Será que Elfried Jelinek (vencedora em 2004) acabou com todas as suas chances?


