ROTA M ◾ PARQUE E PALÁCIO DA PENA
Romantismo em Portugal, património arquitetónico, Palácio da Pena, turismo cultural em Sintra, paisagismo do século XIX
Fotografia da minha autoria«Uma das melhores expressões do Romantismo»O meu coração falhou um batimento, quando se projetou a possibilidade de uma nova visita a Sintra. Pode parecer poético, mas o entusiasmo era tanto, que não me espanta a veracidade deste pensamento. Porque há espaços que preenchem o nosso imaginário e ter a oportunidade de os ver de perto traz uma serenidade distinta. Portanto, embarcando numa aventura apaixonante, fui conhecer «a jóia» do nosso destino turístico.O diálogo entre património, natureza e arte é percetível ao primeiro olhar. Num cenário idílico, somos envolvidos por um extenso manto verde. E acredito que quem tiver a coragem de fazer o percurso pela serra seja ainda mais impactante, uma vez que a paisagem nos deixa sem fôlego: pelo esforço, claro, mas muito mais pela beleza e por este contacto direto com o meio ambiente. Nós não tivemos essa experiência, porém, foi igualmente enriquecedor passar os portões do Parque e subir até ao segundo ponto mais alto de Sintra.O Palácio da Pena é o expoente máximo do romantismo em Portugal, e tanto as suas cores vibrantes, como a sua estrutura fomentam um caráter de mistério, que nos instiga a desvendar cada recanto, compreendendo a sua história e o traço mágico que o povoa. É difícil não nos sentirmos assoberbados pela sua imponência, mas é, também, fascinante a facilidade com que somos transportados para outra época; a facilidade com que as nossas emoções ficam à flor da pele e nos perdemos de encanto. Senti-me uma criança em véspera de Natal e a verdade é que as expectativas foram superadas a um nível transcendente. Porque é tudo deslumbrante.A perícia da sua edificação, que combina duas alas distintas - o Mosteiro de Nossa Senhora da Pena e o Palácio Novo -, torna-o único. Assim, agregando diferentes estilos arquitetónicos, temos acesso a uma viagem imersiva, com inúmeros cantos, miradouros e compartimentos que espelham o melhor do local. No interior do Palácio, fui logo atraída pelos tetos tão detalhados. Os corredores são estreitos, levando-nos com alguma rapidez para novas divisões. No entanto, é inegável o luxo e o jogo de texturas e ilusões. É mesmo de cortar a respiração, quase como se, naquele momento, nos tornássemos numa personagem de um conto de fadas.Se o passeio terminasse aqui, já teria valido a pena, contudo, o nosso bilhete permitia-nos outra paragem. Colocando os pés ao caminho, perdemo-nos pelos esconderijos do parque, com rotas que mereciam uma visita demorada. Apesar disso, tínhamos em mente o Chalet e Jardim da Condessa d' Edla, que serviu «de recreio e refúgio romântico para o casal D. Fernando II e Elise Hensler». Além disso, como a Condessa d' Edla foi cantora de ópera, a construção do edifício transmite esse lado artístico. Rendi-me, por completo, à sua energia.Rui Chafes mencionou que existe «qualquer coisa de sombrio, de distinto, de sumptuoso». É como se partilhassemos um dialeto próprio, intimista. E eu creio que entendi a sua magia, por isso, hei-de regressar e descobrir as entrelinhas que, desta vez, não foram possíveis. O Parque e Palácio da Pena é um poema. CONSIDERAÇÕES ⚡ Comprem o bilhete online, com a marcação para uma hora específica. Encontrarão fila para entrar no Palácio, porque organizam por esse sistema, mas é muito mais fácil para entrarem e gerirem o vosso tempo;⚡ Tenham em atenção o tipo de bilhete que compram, porque existem várias modalidades;⚡ Levem água, snacks e calçado confortável;⚡ Vão com tempo e desfrutem.
Texto originalmente publicado em Entre Margens