Esqueçam lá que ainda no final do ano passado disse que não sentia qualquer prazer em ler ou vontade de tentar voltar a esse hábito. Do nada, voltei a sentir vontade de ler e a ter alguma rotina de leitura; consegui terminar o The Seven Husbands of Evelyn Hugo e, meus amigos: adorei!

Foi o primeiro livro que li da autora, o que acho que pode ser considerado uma vergonha pelo quão em voga ela tem estado nos últimos anos (e com razão, não estamos a falar de uma situação à la Collen Hoover (de quem gosto, mas convenhamos, quem já leu livros da Colleen vai perceber o que digo)). Fiquei com vontade de ler muito mais.

Capa do livro The Seven Husbands of Evelyn Hugo de Taylor Jenkins Reid

Neste livro, é-nos contada a história de vida de Evelyn Hugo, uma das maiores estrelas de Hollywood. Com quase 80 anos, Evelyn decide contactar uma jornalista desconhecida - Monique Grant - para escrever a sua biografia e contar a sua história tal como ela é. Através dos seus casamentos, Evelyn mostra-nos como foi ser uma estrela em ascensão, dos anos 50 ao tempo presente, lidando com todos os efeitos do estrelato, mas também de uma sociedade menos aberta e mais conservadora.

Na realidade, há uma espécie de "elemento surpresa" neste livro, que em nada está relacionado com os seus casamentos (bom, pelo menos diretamente) e que provoca reflexões de um tema extremamente importante. Não vos posso revelar qual é, porque acho que a experiência é melhor sem o saber; só vos posso dizer que existe uma importante forma de representação neste livro, sobretudo para a época - na verdade, existem muitas outras formas de representação na história.

«“(...) always made sure the bad was outweighed by so much good. I...well, I didn't do that (...). I made it fifty-fifty. Which is about the cruelest thing you can do to someone you love, give them just enough good to make them stick through a hell of a lot of bad.”»

Com este livro, eu descobri uma coisa sobre mim: no que à literatura diz respeito, perco a cabeça com personagens que são absolutamente fascinantes. Dorian Gray? Evelyn Hugo? Venham todos até mim. Isto já vos diz pelo menos uma coisa sobre o livro: a construção e dimensionalidade da Evelyn Hugo enquanto personagem estão incríveis.

A Taylor Jenkins Reid escreveu sobre uma estrela de Hollywood e conseguiu, de forma absolutamente perfeita, passar para palavras a sensação de "todos queremos ser como ela". A Evelyn é uma personagem que irradia luz, queremos conhecê-la, queremos olhar para ela, queremos ser ela. Tal e qual como todos os comuns mortais do mundo ficcional deste livro. A Taylor não nos falou de uma estrela de Hollywood, ela mostrou-nos uma estrela de Hollywood.

De tal forma que, tal como vi nesta review no Goodreads (que, já agora, aconselho a ler; concordo com absolutamente tudo o que esta pessoa escreveu), nos momentos em que filmes da Evelyn eram mencionados, dava por mim a pensar "queria muito ver este filme". Queria muito ver este filme, que não existe, só para poder ver como a Evelyn, que não existe, está nele.

A personagem é, para sermos francos, impiedosa. Ela é forte, independente, ousada, destemida, e vai fazer tudo o que for necessário para atingir os seus fins. Mas também lhe conhecemos um lado mais humano, mais empático, com o qual não conseguimos não simpatizar. E é isso que a torna tão complexa, tão humana e tão multidimensional. E é isso que torna, também, interessante a experiência de ler sobre uma mulher assim numa sociedade que era (ainda mais) machista.

«“Nobody deserves anything,” Evelyn says. “It's simply a matter of who's willing to go and take it for themselves. And you, Monique, are a person who has proven to be willing to go out there and take what you want. So be honest about that. No one is just a victim or a victor. Everyone is somewhere in between. People who go around casting themselves as one or the other are not only kidding themselves, but they're also painfully unoriginal.”»

A atmosfera criada em volta de Hollywood (da Old Hollywood, sobretudo) e de ser-se uma celebridade, com tudo de bom e mau que isso implica, também está muito bem construída. Quer dizer, eu não saberia - é uma realidade completamente distinta da minha. Mas parece-me ter existido muita pesquisa e trabalho para esta construção, ao mesmo tempo que me ponho a pensar quanto deste mundo é real para as nossas celebridades. É uma questão que nunca irei ver respondida, mas é uma exploração interessante de uma realidade que não vamos conhecer.

Claro, o plot twist no final também ajuda a tornar a história mais interessante, a explicar alguns porquês e a dar um encerramento apropriado à história.

Supostamente, haverá uma adaptação para filme, mas esta notícia saiu há quase 2 anos e pouco se sabe mais sobre o filme até hoje. Embora concorde com alguns comentários que vi, sobre como poderia ser mais proveitoso fazer uma mini-série com um episódio para cada marido e um episódio adicional, estou curiosa para ver qualquer adaptação audiovisual que se possa fazer desta obra.

E também estou curiosa por ler mais da Taylor Jenkins Reid. Digam-me: posso esperar o mesmo tipo de mestria dos outros livros? Segundo o que tenho visto, acho que sim.

4.5.JPG

Quem aqui já leu? Muita gente, eu sei. Falem-me do quão maravilhoso este livro, e possivelmente todos os outros que ainda não li, é/são.