Quando perdemos alguém, vivemos um luto particular. Um luto que é só nosso, que é diferente do luto de todas as outras pessoas e que é diferente do luto que fazemos das outras pessoas que já perdemos.
Além disso, temos de lidar com a incongruência do mundo. O trabalho tem de continuar. A vida continua. Para as outras pessoas, o mundo continua a girar como se aquela pessoa que nos dizia tanto não tivesse desaparecido. Como se nunca mais a fossêmos ver, ouvir. O mundo simplesmente continua a girar, completamente indiferente à nossa dor.
«Educação da tristeza» de Valter Hugo Mãe é um livro cheio de ilustrações do próprio autor, com capítulos curtos, sobre as suas perdas: o sobrinho sonhador, o pai que já morreu há 20 anos e a amiga Isabel.
O que trocaria, na verdade, é a ideia de ter menos quando se pode ter mais, no sentido bravo dos afectos, no sentido bravo de gostar de mais gente, cuidar de mais gente, declarar a mais gente que nos importa, que admiramos quem são e o que fazem, que nossas vidas ganham razão também pelos instantes em que só nos ocupamos de pensar nos outros.
É um livro triste e algo pesado, mas está muitíssimo bem escrito e faz-nos sentir menos sozinhos com as nossas próprias perdas.
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