A História de uma Serva (Novela Gráfica)
Continua a ser uma história incrível.
Já tendo visto parte da série da Hulu, tinha grande interesse em descobrir o rumo que a adaptação de Renée Nault ia tomar ao adaptar e ilustrar a obra de Margaret Atwood. Ao contrário da série, aqui, segue-se fielmente o original, capturando maravilhosamente o sentimento da narrativa - o horror, a resistência crescente, a rebelião que não desiste.
Em Gilead, as mulheres férteis são como objectos, são matéria-prima, recurso natural, utilizadas como receptáculo, como um meio para procriação; e A História de uma Serva é, principalmente, a história de opressão, solidão, tristeza e perda de Defred, que um dia teve um nome, mas agora é conhecida como sendo um pertence de um homem chamado Fred.
Mas esta review não se deve focar na narrativa, nos personagens ou na construção do mundo, todos eles já conhecidos com a crescente popularidade do livro (os paralelismos possíveis para o nosso mundo actual são evidentes e aterradores); deve-se focar no sucesso da adaptação de Renée Nault. A arte é belíssima e ilustra um mundo distópico horrível, especialmente para as mulheres. E, embora a beleza das ilustrações funcione, é tudo demasiado belo, delicado e esteticamente apelativo para conseguir implantar o medo devido, com total sucesso, no leitor. Mas talvez funcione precisamente por isso: porque, de fora, parece potencialmente idílico. Para os turistas japoneses como para o leitor.
O facto de não ser possível determinar, a partir dos flashbacks, em que altura se deu a transformação do regime, em que ano se passa a narrativa, torna a adaptação tão intemporal quanto o original, escrito sobre um futuro indefinido. Não deve ter sido fácil resumir esta obra de modo a que continuasse a fazer sentido, mas Nault conseguiu. Li o original quando tinha 22 anos, e não sei dizer ao certo que material foi cortado, mas aquilo que ficou faz sentido e encaixa perfeitamente.
Novamente: é uma óptima história.






