Título Original: Carrie
Autor: Stephen King
Páginas: 164
Tradutor: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Objetiva
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Carrie foi meu primeiro contato com o Stephen King. Tirando isso, já havia assistido ao filme "À Espera de Um Milagre", mas na época não fazia ideia de que o filme fora baseado em um livro do King. O mais engraçado é que eu ainda não li nenhum outro livro dele, apesar de ser bastante curiosa quanto "À Espera de Um Milagre".

O livro narra a história de Carrie, uma garota que é constantemente maltratada não só pelos colegas de escola, mas também pela mãe. A mãe é uma fanática religiosa, daquelas que acham que tudo é pecado, num mundo de pecado e habitado por pecadores. O fanatismo é tanto que ela é capaz de prender a filha em um cubículo super apertado que tem uma imagem de Jesus sendo crucificado, e ela faz isso desde a infância da menina. 

Carrie tem medo da mãe e faz de tudo para não irritá-la, até que um dia sua menstruação desce pela primeira vez, na escola. Além de ser humilhada pelas colegas, também é punida pela mãe, que acredita que a "maldição do sangue" só atingiu a filha porque ela não se manteve pura. 

— E Deus fez Eva da costela de Adão - disse mamãe. Seus olhos estavam enormes nos óculos sem aro; pareciam ovos poches. Ela deu um chute de lado em Carrie, e a menina gritou — Levante-se, mulher. Vamos entrar e orar. Vamos orar a Jesus por nossas fracas de mulher, perversas e pecadoras. 

Sue Snell, uma das meninas que zombaram de Carrie se sente extremamente culpada e procura uma forma de se redimir: a garota faz seu namorado convidar Carrie para o baile de formatura. Mas o que Sue não sabe é que uma de suas "amigas" tem um plano para humilhar ainda mais a pobre menina. 

O baile é o clímax da história. É onde todos descobrem os poderes telecinéticos de Carrie. Ao longo dos anos, ela descobriu que podia fazer coisas de mexerem com a força do pensamento, e ela usa isso na noite do baile para se vingar de todos que a fizeram sofrer.

Essa é a menina que continuam chamando de monstro. Quero que tenham isso em mente. A menina que se contentava com um hambúrguer e uma cerveja de dez centavos depois de seu único baile na escola, para não preocupar a mãe.

Apesar dos personagens e da estória terem sido bem construídas, algumas coisas me irritaram. O livro mescla a narração não-linear com trechos de outras obras, depoimentos e cartas (que foram dados coletados por um pesquisador que estudou o caso). Não gostei desse estilo de exposição. 

Também achei a narrativa bem arrastada e enrolada. Não sei se é uma característica do King, já que não li outras obras dele, mas ele é extremamente minucioso. Não é de todo ruim, mas às vezes eu me sentia incomodada com tantos detalhes desnecessários que fizeram o relato ficar um pouco cansativo.

Porém, uma coisa que eu gostei bastante foram os personagens secundários, muito bem explorados pelo autor. Ele consegue criar uma juventude bastante diversificada, com direito a mocinha perfeita, a patricinha popular e o bad boy que faz todas suspirarem. 

Opiniões à parte, a obra é tão famosa que ganhou sua terceira adaptação para os cinemas (o meu favorito é o de 2002). Em seu livro de estréia, Stephen King conseguiu conquistar os leitores com seu suspense psicológico de tirar o fôlego de muitos, mas que, infelizmente, não tirou o meu.