Um livro da escritora Toni Morrison que li em 2011.

Esta é a história de uma família. Ou de várias.

Uma família de negros, escravos, que fogem do seu cativeiro das poucas formas possíveis. Uma delas, a morte, preferida em lugar da perda de liberdade, da dor da perda de um filho vendido como mercadoria, ou da angústia de não poder fazer o luto pela morte de um ente que não se sabe onde está - se vivo, morto, fugido, desaparecido...

E também a história de uma mãe que para evitar algo que para ela é pior, tal como a experiência a fez conhecer, tenta matar os filhos, para não os deixar ser levados pelo "mestre-escola". Consegue matar apenas a sua bebé "que já gatinha", enquanto os restantes são salvos. É essa bebé - em cuja pedra tumular, ela escreve "Beloved" e nada mais - que a vai atormentar anos a fio em forma de fantasma, afugentando quem se aproxime daquela casa... e não só.

"O 124 era rancoroso. Cheio de veneno infantil. As mulheres da casa sabiam-no e as crianças também. Durante anos cada um aguentara o rancor à sua medida mas, em 1873, Sethe e a filha Denver eram as suas únicas vítimas. A avó, Baby Sugs, morrera, e os filhos, Howard e Buglar, tinham fugido aos treze (...). Também não esperaram por um dos momentos de acalmia: as semanas, até meses em que tudo era tranquilidade. Não. (...)"

Sobre a autora:

Toni Morrison nasceu em Lorain, em Ohio, nos Estados Unidos, numa família de classe média baixa. É a segunda dos quatro filhos do casal Ramah e Goerge Wofford. O seu nome verdadeiro é Chloe Ardelia Wofford. Apesar das dificuldades financeiras da família, que sofria as consequências da Grande Depressão, Morrison era uma leitora ávida. Alguns de seus autores favoritos eram Jane Austen e Liev Tolstói. Em casa, ouvia de seu pai casos populares da comunidade negra.

Em 1949, Morrison ingressou na Universidade de Howard, onde se formou em Inglês. Entre 1955 e 1957, ensinou Inglês na Universidade do Sul do Texas em Houston. Depois, voltou à Universidade de Howard, onde ocupou um cargo de professora. Casou-se em 1958 e divorciou-se em 1964.

Em 1993, Morrison foi a primeira escritora negra a receber o Prémio Nobel de Literatura.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Toni_Morrison