Carlo Levi, Cristo Parou em Eboli, Livros do Brasil, 2022, 239 páginas.

"Pequeno conjunto de casinhas empilhadas sobre um precipício de argila branca, Gagliano surge aos olhos de Carlo Levi, naquela tarde de agosto de 1935, como uma terra às portas da civilização, da História, da humanidade." — isto se lê na contracapa.

Livro de memórias, relato histórico, sociológico, com um misto de ficção, este livro retrata a vida de uma comunidade de camponeses do sul da Itália, durante o regime de Mussolini, com a sua pobreza extrema, a sua resignação, as suas crenças ancestrais e o complexo da sua inferioridade, do abandono a que estão votados, ali, tão distantes de Roma, dessa Roma que nada lhes diz, onde vivem uns "senhores" que tudo decidem e com os quais eles nada têm a ver.

Nesta distante vila esteve o autor exilado ("confinado") em castigo pelas suas ideias políticas de oposição ao fascismo, aqui conviveu com estes camponeses nos anos de 1935 e 1936, lembrando, anos depois (1945), toda esta gente, num relato fascinante, de grande humanismo, uma descrição pormenorizada de uma região, de uma época. "Nós não somos cristãos", dizem os habitantes. "Cristo parou em Eboli"

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