Na amena luz do espaço, teu perfume,
Retido está na alcova em desalinho,
Nos meus lençóis, o cálido carinho
E em cada canto o lânguido queixume!

De nosso idílio tudo se presume,
Terna presença assim no nosso ninho,
E por amor no corpo teu me aninho
No teu regaço, entregue ao nosso ardume!

Desse teu cheiro doce de açucena
Eu sou cativa dócil! E amo tanto
A tua tez macia e mui morena!

Em nosso quarto, preso em cada canto,
O cheiro teu, que é puro e que envenena
Este meu ser, perdido nesse encanto!

Este foi um dos meus primeiros sonetos