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| Fotografia da minha autoria |
«É preciso ver o que não foi visto,
ver outra vez o que se viu já»
Monsaraz arrebatou o meu coração. A vila «perto do céu» preserva o seu traço medieval e uma magia absolutamente inspiradora. Antes de me aventurar no interior das muralhas, deixei-me deslumbrar pela vista do miradouro, que nos alarga o horizonte pelas belas e carismáticas planícies alentejanas, também cobertas por água, graças à Barragem do Alqueva, cuja construção potenciou a origem de um dos maiores lagos da Europa. Além disso, é visível o orgulho em ser Montesarense, porque somos recebidos por uma Escultura de Homenagem do Povo «ao Homem que precisava de sonhos para existir», acontecendo o «Cante».
A um passo de entrar num espaço digno de contos de fadas, avistei a Ermida de São Bento, que ficou sinalizada para uma próxima visita. E, depois, fui recebida por um misto de paredes caiadas e xisto. Calcorreando a rua principal, ouvimos o eco dos nossos passos. Sentimos a paz de estarmos protegidos, no topo da colina, como se apenas existisse este lugar no mundo. E perdemo-nos nos detalhes delicados e identitários de uma história que «parou no tempo», mas que será eternamente fascinante. Porque o seu lado pitoresco e tradicional evidencia a luz que transborda e o caráter acolhedor de um local que «foi castro fortificado», transformando-se na Vila-Museu que podemos - e devemos - conhecer hoje. E, de preferência, devagar, para absorvermos tudo aquilo que tem para oferecer.
A minha máquina não teve um minuto de sossego, pois existem diversos estímulos visuais para registar. Há quatro grandes portas por onde podemos entrar na fortaleza. E todas nos possibilitam usufruir desta viagem encantada, onde ficamos a conhecer a Igreja da Nossa Senhora da Lagoa - estilo renascentista, que acolhe oito capelas no seu interior imponente -, a Capela de São José - situada por cima de «uma antiga moradia quatrocentista» - e o Pelourinho oitocentista - em mármore branco. Seguindo pelo Largo de D. Nuno Álvares, é impossível ignorar a riqueza arquitetónica e a beleza dos diferentes edifícios e lojas artesanais. Por seu lado, o Castelo, edificado por D. Dinis, «é um miradouro privilegiado sobre a barragem» e deixa-nos surpreendidos com o seu nível de conservação. Aliás, está é, talvez, uma imagem de marca, pois nota-se o cuidado na preservação desta vila que não esconde toda a grandeza que a caracteriza.
Monsaraz é o berço do concelho. E abre-nos a porta de um património plural, que expõe toda a sua beleza através de monumentos e das ruas estreitas e «recantos soalheiros». O segredo é mesmo estacionar o carro e dedicarmo-nos ao percurso pedestre, porque este postal real «é um palco de excelência». Um refúgio. E um presente que não renega as suas origens. É, para mim, uma das vilas mais bonitas. E fará sempre parte da minha identidade. Porque senti-me em casa.
Já conheceram Monsaraz?
