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| Fotografia da minha autoria |
«É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já»
A arquitetura das Aldeias de Xisto é bastante semelhante, podendo transmitir-nos a sensação de que há poucos detalhes que lhes acrescentem uma identidade singular. Mas é por isso que considero fundamental explorar a fundo. Colocar a mochila às costas, optar por calçado confortável e predispormo-nos a uma caminhada pelo interior das ruelas. Sem pressa para chegar ao destino. Porque a descoberta acaba por ser sempre preciosa e um verdadeiro encanto. Todavia, só será praticável se observarmos de coração aberto.
Quando nos despedimos de Talasnal, retomamos a estrada principal com sentido a Chiqueiro. Apesar de não o poder afirmar com as devidas certezas, talvez seja o sítio mais pacato, onde reina o silêncio e as campainhas dos rebanhos. Os seus traços simples, recheados de vivências e de história, não deixam os visitantes indiferentes. Aliás, aumentam a vontade de regressar e de descobrir o seu interior, que é também ele um postal deslumbrante. Protegido pela «Rede Natura 2000», é maravilhoso constatar que há tradições que se prolongam e que a sua localização é «atravessada por vários caminhos pedestres», sendo possível partir e chegar para e de aldeias vizinhas. As casas, os currais e os palheiros estão organizados por duas ruas íngremes, permitindo-nos desfrutar das encostas da Serra.
Isto é Lousã embala-nos. Este slogan é já uma imagem de marca. E a sua representação física surge através de instalações de madeira, quer no formato de molduras [que nos proporcionam uma vista sobre o vale], quer na forma de blocos e letreiros. Em conversa com locais, foi-nos dito que estas atrações já tiveram que ser recuperadas por causa de estragos intencionais. Infelizmente, a maldade de algumas pessoas não para de se manifestar. E isso fez com que o baloiço presente na praia fluvial da Senhora da Piedade tivesse que ser retirado. Com estes atos de vandalismo perdemos todos, mas o coração fica mais tranquilo ao perceber que ainda há quem lute pela preservação do património, não se poupando a esforços para o conseguir. Assim vale a pena.
Um dos pontos de paragem obrigatória fica em Trevim, por causa do emblemático baloiço. Situado no ponto mais alto da Serra da Lousã, a paisagem é de tirar o fôlego. Embora o nevoeiro se tenha estendido ao nosso redor, não estragou o espetáculo digno de registo, porque a vista é absolutamente inspiradora. E o melhor de tudo e que nos convida a sentar e a desfrutar de toda a paz daquele descampado. O único problema é o percurso de acesso, porque a estrada não se encontra nas melhores condições. Tendo em conta que é uma atração em ascensão, seria vantajoso investir no seu reaproveitamento. Porém, chegados ao destino, a sensação de conquista é indescritível.
Já tiveram a oportunidade de visitar?
