23
Set23
O jovem outono
Elsa Filipe
Nasce ainda no verão, num dia do mês de agosto
Corre leve, soprando as folhas que vai amarelecendo,
Tem ainda pela frente, vários dias que decrescem
Dando sinal de sua graça, nas noites que arrefecem.
Somos levados por ele, que não nos surpreende,
Devagar vai escurecendo, os dias e as folhas também,
As marés vão crescendo em vagas cada vez maiores
Cuidados redobrados é aquilo que convém
Jovem, malandro, o outono aparece
As folhas do chão, estalando
De repente, tudo doirado parece
Mas vem a chuva ensopando.
Mas o jovem vai crescendo,
Dias menores com o frio a aumentar
Dos amenos dias nos esquecendo
Quando a gripe nos faz espirrar.
Quer ser alguém maior,
Arrasta com ele a vontade
De chegar a ser inverno
Mas sem ter ainda a idade.
Porque o inverno é velhinho, sábio, duro e imprevisível
Há-de chegar, é certinho, não há outono que o pare
Cada qual no seu lugar, mas o outono é terrível
Quer trazer com ele a chuva, a neve e o vento também
Mas se há quem o agarre,
É o verão que espreita quando lhe convém.
Elsa Filipe