«Uma a uma, as luzes da cidade 

Vão-se despedindo

E o menino, sonhando acordado, 

Espera o seu destino 

Que horas lhe tiraram os dias? 

Que mãos um dia há de beijar devagar?

Ele sabe que a vida não arde 

Se o sonho é pequeno 

E que às vezes poderá queimar-te 

Com o seu veneno 

À noite a mãe chora baixinho 

Sozinha para não perturbar a cidade 

Que hoje dorme sem luar

(...)

Noite fora, a madrugada chora 

Solta pelo vento 

E o menino já se foi embora 

Já cresceu por dentro

(...)

Não tenhas medo 

Se o tempo foge sem razão 

Não tenhas medo 

Serás maior que a solidão 

Que o homem não chora sozinho 

Não pode deixar de sonhar»