Este livro é um relato real da procura de uma mulher pela explicação de diversos fenómenos que vão acontecendo na sua vida depois da morte do marido, vítima de cancro. Janis é mãe de Tanner e um dia chama-o para que ele também veja a imagem de uma mão que apareceu no espelho da sua casa de banho. Podiam ser dedadas, mas para ela é algo mais. Depois, de algum tempo, começam a aparecer outros sinais e coisas estranhas que ela não tem como explicar. Como editora do Sacramento Bee e tendo sido vice-presidente do Los Angeles Times, ela é uma mulher informada e muito inteligente, que usa alguns dos seus contatos para iniciar a busca pela verdade, ou pelo menos, por algo que a ajude a compreender o que se está a passar. Ao longo do livro, vai relatando algumas das conversas que vai tendo com pessoas com histórias semelhantes à sua, deixando sempre no ar um misto de incredebilidade e de certeza, como se ela se fosse consciencializando do que lhe está realmente a acontecer.

Acredite-se ou não em vida depois da morte, este é sobretudo um livro que nos fala de amor. O amor que não morre quando os nossos entes queridos se vão embora, mas também sobre o amor entre uma mulher e um homem, entre uma mãe e um filho. Fala também sobre o respeito das opiniões dos outros, sobre as diferentes crenças, sobre religião e ciência e essa dicotomia é muitas vezes posta em causa pela própria autora. O que não podemos explicar poderá não existir? Nem tudo o que é verdade podemos tocar ou cheirar, mas podemos sentir de formas diferentes. 

Ao começar a ler, achei logo nas primeiras páginas que não ia gostar. Afinal, porque é que tinha mesmo escolhido este livro? Mas depois começou a ser difícil parar de ler. Cada descoberta era acompanhada sempre por uma procura, uma conversa, uma nova possível explicação. A autora sustentou as suas explicações em factos científicos, em conversas que ia tendo com pessoas que visitava, em encontros ou retiros. Um livro que opõe o científico e o espiritual, mas sem que um anule o outro. Como é que alguém se dedica a procurar respostas para algo que a tantos de nós traria medo ou recusa em acreditar? Mas a verdadeira história que me agarrou foi a própria biografia da escritora que ela vai contando. A forma como lidou com a doença e com a morte do marido, como falou do filho sem o expor em demasia mas nunca lhe deixando de dar o devido lugar na história, como ela conta que encontrou um novo amor, como ele respeitou sempre a presença de Max na vida do casal, mais não fosse pelas conversas que iam tendo sobre os fenómenos e sobre ele em vida, e sobre a forma como lidou com a morte do pai, a relação com a mãe e com a restante família.

Acredite ou não em fenómenos deste género, aconselho a leitura deste livro. É uma história sobre amor e sobre dedicação ao outro, sobre aprender a gerir as emoções e os sentimentos e sobre o perdão.