Eles fazem parte do imaginário popular, das nossas expressões idiomáticas. Eles fizeram a fortuna da Disney e a minha alegria de infância. São fruto da tradição oral, de forma que, quando seus escritores mais famosos os passaram para o papel, já eram histórias de tempos passados. Os Contos Populares, aqui no Brasil mais conhecidos como Contos de Fadas, trazem a essência do contador de histórias.

Toda cultura tem suas histórias essenciais, suas pequenas lendas, que em geral a definem. Muitas dessas histórias foram postas no papel por mestres como Charles Perrault e Hans Christian Andersen, outras foram registradas por pessoas cujos nomes se perderam no tempo, e elas compartilham traços bastante marcantes:Simplicidade: Todos os contos populares que li possuem uma estrutura narrativa bastante simplificada, sem grandes divagações ou discussões filosóficas dentro do texto. Não há questionamento de como a grande bruxa foi parar naquele local específico. Ela estava lá e pronto.

Essência: São contos fundamentais, por assim dizer. Algo que eu, leiga em teoria literária, só posso comparar com Shakespeare. Vou tentar me explicar. O enredo dos contos populares é arquetípico, possui o esqueleto de boa parte das grandes histórias e livros da atualidade. Em poucas palavras, eles atingem o âmago das relações humanas, e das histórias que surgem delas.

Uso de símbolos: Muitas vezes passa despercebido, mas quando se lê 10, 20 contos populares numa tacada só, fica bem fácil de visualizar. Sentimentos e conceitos abstratos, por exemplo, são frequentemente personificados, traduzidos em tesouros, lobos, princesas e lenhadores. As relações com números são as mais interessantes. O uso de números bíblicos e cabalísticos é bastante frequente, principalmente nos contos europeus. Há uma repetição constante de números como o 3 (e seus múltiplos), o 7 e o 12.

Moral: Este talvez seja o ponto mais controverso, mas eu vi sim uma lição em cada história. Às vezes ela é explícita, outras está bem escondida, mas todas trazem um ensinamento sobre a convivência em sociedade, seus usos e costumes. Tanto que ainda é assim que muitos de nós conhecemos estas histórias, seja aprendendo a não falar com estranhos através de Chapeuzinho Vermelho, ou não contar mentiras com a história do Pinóquio.

A simplicidade do texto é enganosa, pois cada conto é um mundo em si. Podemos tratá-los por vários ângulos, como filosofia, religião, psicologia e antropologia, e mesmo assim eles não se esgotam. Talvez muitos deles pareçam banais hoje, simplistas, maniqueístas ou mesmo preconceituosos, mas são definitivamente textos enriquecedores, se o leitor se der ao trabalho de refletir sobre eles.

E eu indico fortemente a leitura desses contos. Mesmo que você tenha visto TODOS os filmes da Disney, mesmo se você já tiver ouvido centenas de vezes as histórias de João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e Cia.

Para quem quer entrar nesse mundo, eu indico duas edições de qualidade:  a edição de bolso intitulada “Contos de Fadas”, da Zahar, com textos e ilustrações originais e mini biografias dos autores. Ou a belíssima “Os Grandes Contos Populares do Mundo”, organizados por Flavio Moreira da Costa, e editado pela Ediouro. Sem contar que estão quase todos em domínio público ((Download Grátis na Biblioteca Meia Palavra)).

COMENTE ESTE ARTIGO NO FÓRUM MEIA PALAVRA