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| Fotografia da minha autoria |
«Um dos mais surpreendentes monumentos»
O ar sombrio intensificou o mistério, mas não impediu o reconhecimento de todos os traços deslumbrantes e românticos que caracterizam a segunda paragem por Sintra, permitindo-me descobrir um pouco mais da essência desta cidade encantada. Quando me despedi do belíssimo Parque e Palácio de Monserrate, palmilhei a estrada que me levou até uma espécie de realidade paralela: a imponente Quinta da Regaleira.
Este «fascinante conjunto de construções e luxuriante jardim é o reflexo dos interesses filosóficos do seu proprietário, António Augusto Monteiro, aliados ao talento do arquiteto-cenógrafo Manini». Como ainda é possível ler no mapa que nos oferecem aquando da compra dos bilhetes, visitar a Quinta da Regaleira é mais do que um passeio turístico, porque implica viajar num universo imaginário de símbolos e metáforas, demonstrando todo o espírito que a envolve e justificando a sua classificação, enquanto Património Mundial, atribuida pela UNESCO.
Fui sem rota traçada, usufruindo do trilho circundante. E de toda a alma do local. Porque é fácil ficarmos fascinados com cada recanto. Infelizmente, as filas para visitar os Poços pareciam intermináveis, portanto, tivemos que adiar esta aventura. Mas fui explorando as inúmeras opções disponíveis, perdendo-me naquela imensidão de verde, colorida por pontos de máximo interesse. Assim, comecei por contemplar a Torre da Regaleira [com uma vista de tirar o fôlego]. Depois, rendi-me à Oficina das Artes [destinada à realização de eventos culturais]. Seguindo caminho, descobri o Terraço dos Mundos Celestes [limitado por muros com ameias], onde se encontram dois mirantes. Em frente ao Terraço, é possível deslumbrar o Portal dos Guardiões [estrutura cénica, rematada por dois torreões laterais]. Uma vez que dissimula uma das entradas para o Poço Iniciático, foi para lá que nos deslocamos, espreitando, posteriormente, o Poço Imperfeito. E prometendo um regresso para mergulharmos numa viagem subterrânea.
O meu olhar atento ainda absorveu a energia do Aquário, da Fonte da Abundância [localizada a Oeste da Casa da Renascença], da Capela Neomanuelina [que evidencia um rico programa iconológico] e o Terraço das Quimeras, para, de seguida, entrar no magnífico Palácio, que me deixou arrebatada pelo poder da sua arquitetura e das peças sumptuosas. Por uma questão de conservação, os pisos superiores encontravam-se encerrados para restauro. Todavia, a amostra foi suficientemente elucidativa da beleza deste legado patrimonial. Por todas estas razões - e mais algumas para as quais não tenho palavras -, só podia ter ficado conquistada por este lugar nada convencional.
É certo que ficou muito por ver. Por desvendar. Por sentir. Contudo, a Quinta da Regaleira transborda um misto de sensibilidade e magnificência. Além disso, exalta referências mitológicas, literárias e religiosas. Neste «livro de pedra», habita «uma visão cosmológica, que sintetiza a memória espiritual da humanidade». É imperdível.
Já visitaram a Quinta da Regaleira?
