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Jan20

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui disse váras vezes que existem algumas palavras que, num título, são meio caminho andado para o sucesso do livro. A palavra «F*», como regra geral aparece, é uma delas, mas em Portugal «Salazar» também é quase garantia de êxito de vendas (Freud explicaria). Nos últimos anos, tudo o que inclua «Auschwitz» no título também costuma fazer as vendas disparar, e até se multiplicaram os romances traduzidos sobre o período da Segunda Guerra Mundial que, há trinta anos, quando eu comecei na edição, eram um fiasco (até se dizia que era por não termos entrado na guerra). Bem, mas esta questão de Auschwitz não é só portuguesa, e houve até um escritor que se queixou da profusão de livros com a palavra no título, até porque escreveu sobre os campos sem ter de a usar. Trata-se do autor de O Rapaz do Pijama às Riscas, o irlandês John Boyne, que, talvez por achar a concorrência desleal, desabafou sobre o facto no Twitter para receber, consternado, uma resposta do Museu de Auschwitz dizendo que o seu romance estava cheio de imprecisões e que, por isso, o iriam tirar da loja do museu. Ui, estes polacos não são para brincadeiras. E agora, senhor Boyne, que palavra mágica para lhes responder?