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Set21

Maria do Rosário Pedreira

Tenho ideia de em pequena ver lá por casa umas edições abreviadas por João de Barros da Ilíada e da Odisseia («contadas às crianças e explicadas ao povo», cito de memória, perdoem-me se não era assim) que em tempos a Sá da Costa publicou; quando Frederico Lourenço começou a ocupar-se das traduções de Homero (que li, claro, na versão «para adultos»), pensei que seria bom uma nova adaptação para os leitores adolescentes e, de facto, mais tarde, tanto a Ilíada como a Odisseia tiveram, na Quetzal, essas versões, organizadas pelo próprio Frederico Lourenço. Aqui há tempos falei da Eneida de Virgílio traduzida pelo professor Carlos Ascenso André (um dos últimos lançamentos da editora Cotovia) e avisam-me agora os editores da Quetzal que deram à estampa, organizada por este mesmo autor, uma adaptação da Eneida para os jovens. São, claro, boas notícias, ao mesmo tempo que descubro que outros clássicos estão a sair com o formato de romances gráficos ou BD, estimulando os mais novos para a leitura de livros que, mais tarde, lhes irão aparecer já só em texto entre as leituras aconselhadas na escola. Vamos lá ver se, com estas edições boas e bonitas, eles começam a interessar-se pelos livros que nunca passam de moda.