14
Fev12
Maria do Rosário Pedreira
Há livros que nunca passam de moda e autores que são modernos em todas as épocas. Este ano, James Joyce entra no domínio público – e isto quer dizer que os seus livros passam a ser património de todos (com direitos gratuitos para quem publica), mas também que o escritor irlandês já morreu há setenta anos. E parece incrível, pois nestes setenta anos que o separaram fisicamente de nós não terá havido muitos autores que o possam igualar em criatividade, ruptura, vanguardismo e modernidade. Se pensarmos que Joyce só tinha 40 anos quando escreveu Ulisses (curiosamente no mesmo ano em que Eliot publicou o belíssimo The Waste Land, ficando só por isso 1922 para a história da literatura), ficaremos ainda mais admirados com o seu génio. (E, ao escrever isto, reparo que Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, com o seu outro Bloom – ou o mesmo –, também saiu quando o autor tinha 40 anos). Sempre que a obra de um escritor entra no domínio público, multiplicam-se as edições de livros seus; e, se isso acontecer, são boas notícias, pois quem nunca tomou contacto com Joyce achá-lo-á, mesmo em 2012, muito mais moderno do que dezenas de outros autores, vivos e jovens.