imagem/oscars org Dentre os oito indicados a categoria de Melhor Filme, nenhum se beneficiou da força das bilheterias, mas sim do consumo via streaming. Gabriel Solti Zorzetto, Especial para Fina A 93ª cerimônia do Oscar será a mais peculiar na quase centenária história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em termos geográficos, por conta da pandemia, os convidados estarão segmentados em três locais: Los Angeles, Nova York e Paris, aguardando a entrega de prêmios para uma gama de películas que foge à regra. Dentre os oito indicados a categoria de Melhor Filme, nenhum se beneficiou da força das bilheterias, mas sim do consumo via streaming. Mank, grandiosa homenagem de David Ficher ao clássico Citizen Kane e líder em indicações (10), é a grande aposta da Netflix ao lado de The Trial Of The Chicago 7, drama de Aaron Sorkin sobre o julgamento de um grupo de protestantes contra a Guerra do Vietnã, em 1968. É verdade que nenhum dos filmes foi unanimidade entre crítica e público, ainda que o primeiro tenha alto reconhecimento por seu valor técnico, e o segundo tenha sido valorizado pelo ótimo elenco, vencendo tal categoria no SAG Awards (o Sindicato dos Atores). A Amazon Prime Video, por sua vez, emplacou o soberbo Sound Of Metal na lista – trabalho com características independentes que dificilmente seria lembrado em outros anos, mas que felizmente foi reconhecido com 6 indicações, incluindo Melhor Ator para Riz Ahmed e Melhor Ator Coadjuvante para Paul Raci. A Warner, em parceria com a HBO Max, conseguiu disponibilizar via demanda e se beneficiou do lançamento tardio, já em 2021, do mais novo filme do estúdio: Judas and The Black Messiah. Longe de ser unanimidade, ressoou como um sopro fresco para os votantes, que retribuíram ao filme 6 nomeações e uma quase certa vitória para Daniel Kaluuya na categoria de Ator Coadjuvante. Os demais estúdios tradicionais emplacaram três filmes que vinham sendo elogiados desde o Festival de Sundance de 2020 – o último visto presencialmente, em grandes telas, pela crítica antes da pandemia. São eles: The Father, da Sony Classics, transcendeu os maneirismos de adaptações de peças teatrais graças ao singular trabalho de direção do francês Florian Zeller e da magistral atuação de Sir Antony Hopkins, que merece o prêmio de Melhor Ator; Promising Young Woman, que caiu nas graças do público ao abordar a questão do movimento Me Too de maneira mais original; e Minari, drama sul-coreano/americano da A24 – que tem a veterana Youn Yuh-Jung como favorita ao prêmio de Atriz Coadjuvante. Por fim, o favorito na categoria de Melhor Filme é Nomadland, da Fox Searchlight. Já venceu o Globo de Ouro, o BAFTA, o Critic’s Choice, além do DGA (Sindicato dos Diretores) para a chinesa Chloe Zhao – a bola da vez em Hollywood. O filme particularmente não agrada este redator, muito por seu ritmo exageradamente contemplativo, com pouco andamento narrativo. Assim como Minari e Sound Of Metal, é daqueles filmes que parecem ter custado menos de 1 milhão de dólares, só que sem metade do valor emocional destes outros dois. Dentre os filmes que não estão na categoria principal, Ma Rainey’s Black Bottom, reconhecido em outras 5 categorias, deve dar um Oscar póstumo a Chadwick Boseman na categoria de Melhor Ator. Já o dinamarquês Druk, memorável trabalho de Thomas Vintenberg (indicado em Melhor Direção), está bem encaminhado para levar o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro A cerimônia do Oscar 2021 acontece no dia 25 de abril.